29 May 2008

Diário de Bordo III - IV FIBDB

O Festival de BD de Beja acabou no último fim-de-semana mas só agora é que está disponível na Centralcomics o meu texto sobre os meus dois dias lá passados. O objectivo inicial do Diário de Bordo era precisamente fazer "reviews" acerca dos festivais de BD nacionais mas na falta deles e da disponibilidade para ir, alarguei-o um pouquinho mais como poderão ver pelo texto da Asa.

Pelo que me disse o director do festival, Paulo Monteiro (os meus agradecimentos, sem o convite dele o mais provável era não ter ido por causa da despesa que é passar um fim de semana fora tão longe), as precisões deles apontavam que iam ter cerca de 6000 visitantes, mais 1000 que o ano passado.
Dave McKean tem destas coisas hehe
Olhar para a prateleira e ver aqueles Mirrormask Illustrated Script e Asilo Arkham e saber que não estão assinados... e ele ainda me ficou com o meu marcador prateado... Mais uma estória a somar aos festivais.

Fica aqui o mais recente Diário de Bordo.


Depois de um fim-de-semana passado em Beja, este Diário de Bordo retrata a minha primeira ida ao Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja que já vai na IV edição. Nunca houve a oportunidade vir a este festival mas este ano, aliando um nome sonante e o facto de ser a minha primeira ida a um festival como autor, não podia faltar.

Depois de duas viagens que duraram ao todo cerca de 5 horas, eis que chego a Beja carregado qual Pai Natal com livros para os autógrafos. Enquanto o festival não abria, houve oportunidade de ver a bem conseguida zona comercial situada no exterior da Casa da Cultura mas abrigada do tempo que prometia ser muito chuvoso. O espaço é bem agradável com o bom tempo alentejano e a sessão de autógrafos era para se realizar lá mas teve que ser movida para a bedeteca porque a temperatura baixou muito.

Depois de aberto oficialmente o festival, ficaram todos entregues às exposições. Destaque para a exposição do Gipi, BRK com algumas pranchas inéditas, João Lemos e o seu número do Avengers: Fairy Tales e, naturalmente, Dave McKean. Esta exposição, que só pecava por ser pequena, mostrava um pouco de todos os seus trabalhos (capas e pranchas de várias BDs) e os diferentes estilos e potencial deste excelente artista. Os originais das diferentes obras expostas iam desde pranchas de Asilo Arkham, Cages e Mr. Punch passando pelas brilhantes capas da série Hellblazer e Sandman, arte do filme Mirrormask e diferentes edições dos títulos em que o autor colaborou.

O festival não se esgotava apenas na Casa da Cultura/Bedeteca de Beja. Devido à demora que houve com os autógrafos que o Dave McKean andava a distribuir, a “tournée” por Beja para abrir as restantes exposições foi, em parte, cancelada. Ainda assim tivemos a oportunidade de ver algumas ao acompanhar o resto do programa.
O jantar no Sábado foi nos claustros do Museu Regional de Beja, um mosteiro desactivado onde na sacristia estão expostos originais da Susa Monteiro.
Depois do jantar, a festa continuou no Museu Jorge Vieira - Casa das Artes com exposição de Pepedelrey e Teresa Câmara Pestana e, para animar, questionário sobre BD.
A noite, já avançada, terminou com a actuação dos Jigsaw na Galeria do Desassossego local que o Dave McKean gostou por lhe fazer lembrar os clubes de Londres dos anos 80.

Esta forma de visitar o festival, que não cabe todo na Casa da Cultura, também é uma excelente maneira de conhecer parte da cidade. Todos os locais com exposições ficam muito próximos uns dos outros podendo ser visitados a pé e tudo sem ter que se pagar um único bilhete. Uma forma de mostrar aos bedéfilos que não conhecem Beja o que a cidade tem para oferecer para, quem sabe, a visitar uma próxima vez.

Já no Domingo foi a nossa oportunidade de nos estrearmos como autores. O projecto dos Murmúrios foi apresentado, teve bom público apesar de muita gente se ter atrasado e o interesse de várias pessoas incluindo o director do festival, Paulo Monteiro que desde já agradecemos o convite.

A nossa apresentação foi seguida de:
- Plano editorial da Kingpin of Comics para 2008;
- Qual Albatroz, uma nova editora que irá lançar o próximo livro do Menino Triste e ReEvolução 01/10 com a presença dos autores;
- Apresentação do livro “De trute ise aute der” e do fanzine/e-zine “Terminal” ambos a cargo de Phermad responsável pelas Edições DrMakete.

Não estando agendado, Dave McKean ainda fez uma muito interessante e demorada retrospectiva de quase todos os seus trabalhos em BD, ilustração e cinema.
Infelizmente não tive oportunidade de ficar para o final pois iria perder a viagem de regresso.

Não querendo tecer nenhuma crítica, não deixo de me perguntar que tipo de afluência teria o festival se um nome tão sonante como o do Dave McKean não estivesse no cartaz. Infelizmente poucas caras novas vêem-se neste tipo de eventos e são estes nomes que chamam fãs dos arredores (Lisboa por exemplo). Ainda assim não deixam de ser louváveis diferentes iniciativas como o torneio de Playstation, projecção de filmes, diferentes workshops e maratonas de BD que chamam outro tipo de público. Não esquecendo os mangakas, ainda há até ao final do festival oficinas de caligrafia japonesa e origami, shiatsu, cerimónia do chá, sessão de anime de 6 horas ininterruptamente com dobragem ao vivo e ainda jantar japonês.
Para os mais novos, aqueles que esperemos que sejam a próxima geração de bedéfilos, o programa é diversificado envolvendo teatro, ilustração e leitura.

O espaço da bedeteca, que antes só tinha visto em fotografias, é muito bem conseguido. Inserido na Casa da Cultura, ocupa apenas uma sala e tem praticamente tudo o que foi editado em Portugal a partir dos anos 70 e onde se incluiu também um belo catálogo de material importado muito diversificado. Esta bedeteca é a prova que não é preciso um espaço autónomo podendo muito bem ser enquadrável num outro qualquer equipamento cultural existente mais abrangente. Um exemplo a seguir por outras localidades, especialmente a norte que nunca viu equipamentos destes nem vê eventos desta importância há alguns anos.
O próprio director do festival foi muito simpático e acessível. Sempre presente era ao mesmo tempo guia, coordenador, … um faz-tudo dentro do festival sempre disponível para qualquer coisa.

O próprio festival é algo completamente diferente do que tenho visto na Amadora. Enquanto um vive para a parte “comercial” onde o importante é o triângulo exposição -autor - espaço comercial, neste festival, não deixando de parte estes três alicerces, vive-se um ambiente de maior “intimidade e familiaridade” devido à quantidade de caras conhecidas e à menor dimensão do mesmo. É um festival que aposta num bom ambiente onde numa hora se está numa fila de autógrafos para um autor como na outra já estamos numa alegre conversa com o mesmo numa exposição ou esplanada.

23 May 2008

Dream of Californication

Antes de mais, as minhas sinceras desculpas para com a meia dúzia de seguidores deste estaminé mas as últimas semanas têm sido (e vão) ser complicadas. Ainda pensei deixar o blog parado mais um pouco até surgir o meu "Diário de Bordo" do Festival de BD de Beja mas deixo-vos com outra coisa:
Desta vez venho-vos falar provavelmente da melhor série do momento dentro do seu género. Como devem ter percebido, trata-se da série Californication. E que poderá ter esta série de especial? Bem, basicamente... tudo.

Num artigo que o David Soares publicou algures, ele falava no papel de escritor e/ou argumentista que é muitas vezes esquecido e deixado para 3º ou 4º plano em detrimento da arte (caso da BD) ou dos actores, realizadores e outros "ores" que montam o espectáculo. But fear not, my writing friends!!! CALIFORNICATION IS HERE!!

Hank Moody é um escritor de relativo sucesso e uma sólida base de fãs. É muito bom e reconhecido em diversos circuitos. Com apenas 3 romances publicados ao longo de muitos anos (e mais umas curtas e essas coisas que os escritores mais conhecidos têm que fazer para pagar as contas lá de casa) vê finalmente o seu trabalho "valorizado" quando o seu livro God Hates Us All é transformado num filme chamado A Crazy Little Thing Called Love com Tom Cruise e Katie Holmes nos principais papéis (antes que corram para o IMDB Cruise-lovers, este filme NÃO existe! Foi criado apenas para a série). Mais não é preciso dizer para perceberem que o filme é considerado uma valente porcaria mas o retorno financeiro para o nosso querido escritor é bem evidente. Hank em algumas tiradas bem inspiradas, faz a folha ao realizador do "filme" e mais não digo para apreciarem devidamente estas cenas míticas.

Para fazer este filme, Hank e a família (a deusa Karen e Becca, a filha rock star genialmente precoce) mudam-se de Nova Iorque para Los Angeles de forma a Hank acompanhar a rodagem (chamemos-lhe massacre) do filme inspirado no seu livro. O tempo passa e L.A. definitivamente não é o sítio para esta tripla. O espectador apanha a vida de Hank numa péssima altura e só aos poucos é que descobre o que efectivamente aconteceu para a Karen ficar noiva de um tipo sem interesse e mudar-se com a filha para a casa dele, Hank, num estado de total bloqueio criativo há já algum tempo devido à adaptação do seu livro, navegar por um mar de libertinagem, álcool e pussies como se não houvesse amanhã e ainda o porquê do estado em que se encontra o Porsche da personagem principal (sim, até isso tem o seu interesse. Aquele carro tem carácter e um historial por trás que só visto).

Logo nos primeiros episódios assistimos a um dos engatanços de Hank que mais estranhos resultados vai produzir e que ficarão definitivamente na História da televisão e cinema. A história pouco avança mas esse mítico David Duchovny prende-nos a atenção com uma das mais interessantes personagens vista na televisão.

David é um pequeno deus nesta série, completamente à vontade numa personagem que faz tudo para que a sua vida não se desfaça ainda mais mas ao menos tempo não quer saber e leva tudo na boa. É a personificação do que melhor e pior existe num mundo que muitos almejam atingir, Hollywood.

Para aqueles que conseguiram acompanhar a pedalada dos primeiros episódios, a sua dedicação à série é imediatamente compensada. Tudo o que tem acontecido tem ou vai ter um peso, algumas vezes bem grande, no futuro. Aos poucos vamos perceber como é a vida deste escritor e quem sabe, de outros, que vivem sempre com o fantasma de um bloqueio criativo à espreita.

Finalmente a justa homenagem a uma vida que supostamente não tem interesse em ser mostrada como muitos pensam. Inúmeros filmes sobre músicos, pintores e outros artistas têm sido feitos mas sobre escritores e o que é realmente viver da escrita, arrisco-me a dizer que esta série é pioneira.

Não vos queria estar a contar mais coisas para não perderem pitada desta série. Cada episódio tem apenas 25 minutos mas estes 25 minutos valem mais do que muitas horas de muito cinema e televisão que tenham visto. Às vezes a série é criticada por "não ter história" mas acreditem, ela está lá... E chama-se Hank Moody!

Atenção que isto é material para maiores de 18. A Showtime, canal "financiador" da série, não tem quaisquer problemas em meter cenas muuuiiito explicitas e que já valerem muitas censuras e protestos de puritanos. E com alguma razão se não forem vistas dentro do contexto. Há muita coisa que nem passariam pela cabeça de muita gente.

27 April 2008

Black Dossier

Argumento: Alan Moore
Desenho: Kevin O'Neill
Editora: America's Best Comics

ATENÇÃO! PODE CONTER EVENTUAIS SPOILERS!

Este novo volume da brilhante Liga de Cavalheiros Extraordinários passa-se nos anos 50, numa Inglaterra a recuperar dos anos do regime do Big Brother onde os avanços tecnológicos misturaram o ambiente vitoriano com o steam-punk.

Os rejuvenescidos Alan e Mina assaltam o antigo quartel-general da Liga para roubar... o Dossier Negro (Black Dossier). Precisamente o Dossier que o leitor tem na mão! Este dossier relata todas as provas que o MI5 tem sobre a existência das várias Ligas que têm existido ao longo dos séculos. Essas provas vão desde peças de teatro, revistas pulp, folhetos, relatos, fascículos de várias colecções, enfim, uma grande salada de provas criadas pelo Alan Moore que tornam mais credível o universo destas personagens.

Estas provas reunidas no dossier seguem uma cronologia exacta que vão desde tempos imemoráveis com os Great Old Ones, criacção do Lovecraft, passando por todas as fases da História da Grã-Bretanha até quase ao “presente” onde se encontra a dupla e o leitor. Tudo relacionado com as diversas Ligas existentes ao longo dos séculos entre as quais uma que a Mina e o Alan formaram depois das invasões marcianas e que nunca tínhamos visto antes e que incluiu, entre outros, Orlando, personagem já apresentada nos outros volumes e que neste tem direito a tiras que contam a sua vida desde há 3.000 anos atrás.

O mais brilhante deste livro é o leitor acompanhar a par e passo tudo o que a dupla descobre acerca das antigas encarnações da Liga. Ao longo da narrativa muito bem conseguida, vamos alternando entre períodos de tensão com a perseguição dos agentes especiais do MI5 à dupla e outros mais calmos onde eles aproveitam para ler mais um pouco do dossier. Conforme vão lendo o dossier, o leitor também acompanha a leitura do mesmo. A leitura da banda desenhada é interrompida para se poder mergulhar exactamente no que as personagens estão a ler. O livro interage com o leitor de tal maneira que só nos faltava acompanhar as investigações de Alan e Mina lado a lado com eles.

Alan e Mina roubam o dossier entretanto já esquecido e ignorado pelo MI5, mas, assim que assaltam a sua antiga sede, são perseguidos por um trio de personagens bem sinistras (que dizer então da surpresa que é o Bond) que não fazem ideia de quem eles são. A ideia da Mina era desaparecerem com o dossier para o Blazing New World. Desta forma, além de apagarem todas as provas da existência da(s) Liga(s), desapareciam também todos os factos relacionados com este sítio especial.

Esta última parte no livro é um pouco decepcionante para uma perseguição e aventura que prometiam um bom final. Foi mais uma desculpa de apresentar uma ideia recorrente na obra do Moore (Promethea e A Voz do Fogo entre outras) mas que não deixa de ter a sua piada e nos introduz novas ideias que possivelmente serão utilizadas no futuro da série.

Apesar disso o Moore consegue algo inovador neste final usando os efeitos 3D. Se o leitor alternar as cores, vê desenhos sobrepostos a vermelho ou a verde. Sem os óculos, tudo não passa de uma confusão de linhas a cores mas com os óculos, vemos imagens diferentes conforme a cor escolhida. Atentem nos portais para outras dimensões e especialmente na concepção do Nyarlathothep que está tão genial que não há palavras para descrever.

Penso que os fãs que estão à espera de uma aventura como as 2 anteriores, podem desiludir-se bastante com este novo capítulo. Este álbum é mais um compêndio de informações sobre a Liga e, mais lá para o final, do Ideaspace (uma dimensão que o Moore acredita piamente existir onde se encontram todas as ideias, conceitos abstractos, personagens e estórias que alguma vez existiram, existem e existirão) do que uma aventura como tem sido os anteriores álbuns. Prova disso é a nova série da Liga que será, nas palavras do próprio Moore, o terceiro volume da Liga de Cavalheiros Extraordinários.

A leitura dos vários textos, especialmente a peça do Shakespeare e a revista pulp, são difíceis e entediosas e, tal como o Watchmen, devido à grande quantidade de "extras", a leitura demora muito tempo. Leiam com calma, tempo e muita paciência pois todos os pormenores são importantes (ou poderão vir a ser).

Só para terem uma ideia do génio do Alan Moore, para esta série, ele teve a ideia de juntar num único universo brilhantemente coeso todos os grandes e pequenos clássicos da literatura.
Além dos habituais Sherlock Holmes (Professor Moriarty), Dr. Jekyll e Mr. Hide, Dracula (Mina Murray), As Minas do Rei Salomão (Allan Quatermain), 20 mil Léguas Submarinas (Capitão Nemo) e outros que não me lembro, nesta obra temos presente as seguintes referências que consegui identificar e me recordo:
-Lovecraft e o seu Cthulhu Mythos;
-George Orwell e o seu 1984;
-Robert E. Howard e o continente criado para o universo do Conan, Hyperborea;
-Fanny Hill (com uma nova aventura supostamente criada por ela);
-Shakespeare (com uma peça também supostamente criada por ele);
-Moby Dick;
-Ian Fleming e o seu Bond e os vários M‘s que são sempre uma surpresa nesta série;
-Gulliver e uma “suposta” formação de uma Liga criada por ele;
-Beowulf;
-imensas obras "menores" onde surgem diversas personagens que compõem versões frustradas de formar uma Liga após o abandono da dupla Lina e Alan e outros equivalentes da Liga noutros países como os franceses "Les Hommes Mystérieux" e os alemães "Der Zweilicht-helden".

Já está prometido um novo capítulo nesta excelente saga. Desta vez será editada pela Top Shelf e, aparentemente, são três comics de nome The League of Extraordinary Gentlemen - Century.

Para saberem virtualmente tudo sobre a Liga, visitem este site: http://www.comp.dit.ie/dgordon/League/loeg0008.html

26 April 2008

Asa Negra - Nova loja de BD

Em Abril, uma nova loja de BD surge no país. Hugo Teixeira (autor de Bang Bang e Monótonos Monólogos de um Vagabundo) e Ana Vidazinha criaram a loja que situar-se-á em Almada.

Além do habitual catálogo Previews, vamos poder encontrar artigos de modelismo de várias marcas, merchandising, jogos de tabuleiro, estratégia e de cartas coleccionáveis, literatura importada e muitas publicações periódicas estrangeiras de arte e entretenimento.

Asa Negra Comics
CC Faraó, loja 4, Almada
www.asanegracomics.com

14 April 2008

Loop station (II): Death Proof


Decidi mudar a ideia por detrás da Loop station. Em vez de mostrar o disco que está constantemente a passar no estaminé, vou mostrar o que anda a rodar por cá apresentando também o filme. Isto porque a grande maioria dos discos que ouço são bandas sonoras.
Perdida a oportunidade de comentar o filme Sweeney Todd e a banda sonora de Juno (se encontrar barato e me entusiasmar, talvez escreva qualquer coisa), passo agora para Death
Proof
.

Apanhei o disco em promoção mais uma vez num daqueles super-mercados culturais que todos conhecemos para o bem e para o mal (especialmente das carteiras).

Passado tanto tempo depois de ter visto o filme no cinema, ao ouvir o cd, cheguei a uma vergonhosa conclusão: não me lembrava de nenhuma cena à excepção da lap dance e mesmo essa foi muito esforço de memória. Não reconhecendo as músicas, tive que rever o filme.

Bem, ainda mais envergonhado fiquei. Como foi possível deixar passar tantas cenas memoráveis?!?
Nesta segunda visualização, dei mais atenção à banda sonora e, como sempre, é soberba e incrível.
Os diálogos são tantos e tão bons que a banda sonora peca por não ter mais mas os principais estão lá. Dou destaque obviamente ao diálogo onde nos é apresentado Stuntman Mike, a definitiva ressurreição de Kurt Russel para os grandes papéis.

Em relação às músicas, que há mais para dizer? Mais uma prova que Tarantino é tão bom realizador e escritor como conhecedor de música. Grande parte da alma dos filmes dele vive das músicas, onde cenas memoráveis só são isso mesmo, memoráveis, por culpa das músicas. Quem viu o filme mas ainda não teve oportunidade de rever ou de ouvir a banda sonora, antes de mais que procure a The Coasters - Down in Mexico... Anos 60 e 70 em alta!


Em relação ao filme, os fãs de Tarantino têm uma relação de amor-ódio com esta metragem.
Há aqueles que adoram o filme. Os mesmos diálogos espectaculares, uma perseguição de automóveis como já não se via há muitos anos (note-se que este filme não teve uma única pitada de CGI, é tudo carroçaria e chapa a desfazer-se a 200km/h), um "vilão" que mete medo ainda antes de sabermos quem ele é, raparigas giras, acção... Enfim, o cocktail habitual que presenteia os mais entusiastas com piscadelas de olho ao Kill Bill e à segunda metade deste Grindhouse: Planet Terror.

E existem aqueles que não gostam e até teriam alguma razão mas simplesmente não entenderam a mística deste filme. Sim, é mau, tem pouca estória, final abrupto mas é essa a piada do filme. É daqueles tão mauzinhos que é genialmente bom. Um verdadeiro Grindhouse feito para divertir e entreter.
É essa a mística por detrás dos filmes Grindhouse, um filme para entreter, barato e mau.

Um clássico instantâneo que tanto poderia ser apreciado na época dourada dos Grindhouse como nos dias de hoje!


PS - Em Novembro vai sair Kill Bill: The Whole Bloody Affair. Ainda não se sabe pormenores sobre os extras mas já estão prometidos 4 (!) discos e fala-se que o Tarantino juntou os dois filmes num só, coloriu as cenas a preto e branco, acrescentou algumas cenas apagadas (censuradas para poder obter a classificação "Restricted" que penso que seja um "16+" já que esta nova versão será "Rated 17+", o nosso "18+") e mexeu na ordem das cenas para aquilo que ele estava a pensar fazer originalmente.

10 April 2008

Murmúrios das Profundezas (I)

Já está disponível um blog sobre este projecto que se espera que seja apresentado no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja este ano.

O desenho acima trata-se de uma imagem promocional feito pelo Diogo Carvalho e temos uma das personagens principais de um dos meus contos para este projecto.

Espero que seja do agrado dos vossos pesadelos lovecraftianos...

20 March 2008

The best in what he does

Wolverine #51 - #61
Logan Dies

Argumento: Marc Guggenheim
Desenho: Howard Chaykin
Capas: Arthur Suydam
Editora: Marvel Comics

Marc Guggenheim regressa ao título que o catapultou para o estrelato dentro da Marvel.
Saltando a saga Evolution escrita pelo Jeph Loeb, eu e o Guggenheim continuamos, como se nada fosse, a seguir os acontecimentos que envolvem o Wolverine pouco tempo após a Civil War.
Esta estória serve para dar uma resposta a uma dúvida que assola os fãs deste personagem há muito tempo: "Porque razão é que, por mais que tentem, ninguém consegue matar o Wolverine?" E muito já foi feito nesse sentido. Quem leu o tie-in com Civil War sabe que o que se passou lá era impossível mesmo para um mutante com um factor de cura que anula tudo.

Ao longo desta saga de 5 números vamos alternando entre duas alturas. Quase 100 anos atrás, num estranho flashback (muito ao estilo da série Lost), vemos Logan a combater na 1ª Grande Guerra adoptando um estilo de combate muito parecido com aquele que conhecemos. No presente, temos o Dr. Strange a tentar trazer à vida o mais amado de todos os mutantes.
"Mas com um factor de cura, como é que o Wolverine morreu?" perguntam vocês.
Arrancando esta saga logo após os acontecimentos do #48, temos um Wolverine a fazer aquilo que sabe fazer melhor cilindrando uma organização terrorista. Pensando que estava a salvar Tony Stark de um atentado, Logan cai numa grande armadilha onde matam a sua recente amada Amir (que conheceu no tie-in com Civil War), forçam-no a engolir um explosivo que o rebenta de dentro para fora e ainda fazem explodir o falso Helicarrier onde ele estava.

Apesar de ter sobrevivido aos ferimentos e estar de boa saúde graças ao factor de cura, a verdade é que Logan encontra-se clinicamente morto. O seu corpo vive mas o seu cérebro não responde.
Seis semanas passam e o Dr. Strange finalmente consegue estabelecer contacto com a alma do "falecido" dando-lhe toda a informação que necessita sobre a sua situação e como voltar ao seu corpo.

Claro que o mutante mais famoso da Marvel nunca iria morrer. Voltando do limbo decide perseguir os responsáveis pela sua morte e a partir daí grandes revelações vão-se amontoando.

Não quero adiantar mais para não perderem a piada de ler esta saga mas digo apenas que o que vimos na mini-série Origin, tem repercussões nesta saga. Nada é deixado ao acaso ao explicarem as origens deste personagem e todos os momentos importantes da vida do Wolverine que podemos ver em Origin, no Eu Wolverine! de Frank Miller, saga Enemy of the State, tie-in com Civil War, o tempo que ele passou na Weapon X e na Tropa Alfa no Canadá ou ainda quando Magneto lhe retirou o Adamantium do corpo têm o seu peso.

O desenho de Howard Chaykin não é nada de mais. Há quem goste, há quem não goste. Da minha parte acho que não é nada de mais mas cumpre muito bem o seu papel e é muito agradável. A maioria das cenas de acção conseguem ler-se ao ritmo de um manga.

As capas do Arthur Suydam continuam um mimo.

O argumento do Marc Guggenheim está bom, responde a muitas dúvidas que ultimamente assolavam os fãs e segue a um bom ritmo cheio de acção, condensando vários acontecimentos ao longo da vida do Logan que têm agora um novo ponto de vista. "Ressuscita" uma personagem completamente esquecida, dá a sua homenagem a uma certa saga do Wolverine e um novo status quo para uma personagem que por pouco se tornava um deus (para saberem, leiam os comics ou o TPB).

14 March 2008

Loop station (I): Pies! Pies! I want pies!

Em constante rotação cá pelo estabelecimento, tenho a banda sonora do Sweeney Todd. Não querendo denegrir o trabalho do senhor, longe disso, já fazia falta uma OST de um filme do Tim Burton que não fosse composta pelo Danny Elfman.


Não tenho hábito de comprar CDs porque, além de estupidamente caros, prefiro sempre as bandas sonoras. O problema é que além de esporadicamente se encontrarem OSTs de jeito, os preços demoram ainda mais a baixar e são incompreensivelmente mais altos (mas ligeiramente). Não entendo como a banda sonora do The Fountain possa custar 21€ nos supermercados que começam por F e acabam em C e sejam raríssimas as que estejam abaixo de 14€.

01. Opening Title 3:30
02. No Place Like London 5:32
03. The Worst Pies in London 2:23
04. Poor Thing 3:09
05. My Friends 3:48
06. Green Finch & Linnett Bird 2:16
07. Alms Alms 1:16
08. Johanna 1:57
09. Pirelli s Miracle Elixir 2:00
10. The Contest 3:39
11. Wait 2:38
12. Ladies and Their Sensitivities 1:23
13. Pretty Women 4:27
14. Epiphany 3:16
15. A Little Priest 5:15
16. Johanna 5:42
17. God, That s Good! 2:46
18. By The Sea 2:19
19. Not While I m Around 4:11
20. Final Scene 10:21
Esta banda sonora é obrigatória para quem gostou do filme. Basicamente tem todas as músicas do filme na ordem original da película.
Estamos praticamente a assistir ao filme só faltando as imagens. Temos os diálogos originais ligeiramente editados para se compreender o contexto do que é cantado e sem outros sons que possam atrapalhar a música como sons de passos ou pessoas a serem degoladas hehehe.

A interpretação dos actores é fabulosa e é impossível ter apenas uma ou duas músicas preferidas. Das 20 músicas que compõem o disco, as que estão a negrito são as que mais ouço e dou por mim acompanhar os actores nos cantos.

Uma compra que vale bem a pena.