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14 August 2009
Vou ali ao lado e já venho
A algumas horas de partir para o festival só tenho a dizer que a organização é de uma incompetência atroz!!
Prometeram um site oficial para o festival e nada...
Horários das exposições tem que ser o próprio interessado em procurar pelos sites dos edificios onde estão as respectivas exposições...
Horários para os autógrafos nem vê-los...
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Banda Desenhada,
Diário de Bordo
29 July 2009
Diário de Bordo VI - V Festival Internacional de BD de Beja
A partir de agora irei disponibilizar aqui todos os textos que fizer mesmo que estejam disponíveis noutros sites. Devido ao facto da Centralcomics ter sido recentemente remodelada, e para evitar ter que recuperar os vários textos que estavam perdidos, todos os textos irão estar disponíveis aqui.
Pderão ver mais fotos na minha conta do Flickr, mais propriamente na pasta sobre Beja 2009.

Mais um ano, mais uma edição do festival de Beja. Se o ano passado foi o desabrochar do festival com um ‘cabeça de cartaz’ sonante, este ano foi a confirmação. Da minha parte, fica aqui uma descrição dos dias 29 a 31 Maio.
Posso dizer que o festival, antes de ter começado oficialmente, me reservou muitas surpresas. Tendo escrito um texto sobre Gary Erskine para o Splaft, o catálogo do festival, fiquei extremamente surpreendido por saber que ia ter o privilégio de acompanhar Gary Erskine e a sua mulher na viagem de Lisboa para Beja onde pude constatar a enorme simpatia e simplicidade deste autor escocês.
Chegados à Galeria do Desassossego, já tínhamos à espera uma bela comitiva de autores constituída por Marco Mendes, Denis Deprés acompanhados pelas respectivas mulheres, Craig Thompson e Sierra Hahn, editora da Dark Horse (que surpresa das surpresas era a companheira de Craig) e o grande Mattotti. Isto sem falar da boa disposição de Geraldes Lino que chegou mais tarde.
Depois de termos experimentado os mais diversos estranho pratos da casa, começou a jornada na busca por um bar na noite bejense. Apesar de termos ‘perdido’ alguns companheiros nessa difícil campanha, fomos acompanhados pelo Hugo Teixeira e Vidazinha. Finalmente encontrado um bar com snooker que o Geraldes Lino tanto insistiu, uma alegre conversa bem regada com copos, desenhos (indecentes) e fotografias, a noite prolongou-se com um feroz combate de snooker entre as tropas portuguesas constituídas por Geraldes, Marcos e Hugo Teixeira contra os ianques Sierra e Craig que, verdade seja dita, não pareciam ter muito jeitinho para o jogo. Devido ao jet lag da viagem, Craig e Sierra tinham a pica toda para continuar no jogo mas como se costuma dizer, no dia seguinte trabalha-se e acabamos o jogo às 3 da manhã com um empate.

SÁBADO, ABERTURA DO FESTIVAL
Devido ao vento e temperaturas algo baixas na edição anterior, este ano foi decidido um adiamento do festival para uma altura de bom tempo. E que tempo! Céu limpo e temperaturas a rondarem os 40º que deixavam qualquer um de rastos, ainda para mais americanos e escoceses pouco habituados a este calor.
Ainda assim, este maravilhoso e terrível tempo não demoveu imensa gente de sair à rua e comparecer para a abertura do festival que, como é da praxe, se atrasou. Nada que não se revolvesse com 2 dedos de conversa com conhecidos e autores no mercado do livro. Após o discurso inaugural do Presidente da Câmara, as portas ficaram abertas para se poderem apreciar as diversas exposições. Tantas onde destaco o novo valor nacional que é Carlos Rocha, a vasta exposição de Mattotti, a diversidade de Gary Erskine e a simplicidade do traço de Craig Thompson.
O maior afluxo de visitantes ao festival também se sentiu nos autógrafos onde Thompson foi dos mais requisitados e Erskine o mais demorado porque além de falar pelos cotovelos, dedicava-se a fazer desenhos com enorme atenção ao detalhe. Eram quase 20 horas e ainda estava a atender pedidos.

A programação continuou com as inaugurações das exposições Luminus Box, Venham+5, Voyager e Hugo Teixeira na Biblioteca Municipal, seguindo para o Museu Jorge Vieira – Casa das Artes com a exposição de Marco Mendes e finalmente acabando no Museu Regional de Beja, onde a obra de Alex Gozblau estava exposta e se realizou o habitual jantar volante.
Este jantar ficou marcado por uma justíssima homenagem a Geraldes Lino que foi apanhado desprevenido tendo ficado sem palavras. Uma homenagem pelo trabalho feito na área dos fanzines, pela sua extrema dedicação à nona arte e pela criação da tertúlia de BD de Lisboa que fez 24 anos nesta última quarta-feira, dia 3 Junho. Além do discurso do Presidente da Câmara de Beja, este ofereceu 4 medalhas da cidade e uma placa alusiva à homenagem.
Com muitos copos e boa disposição à mistura, os bedéfilos tomaram conta da Galeria do Desassossego onde este ano se realizou o concerto com os portugueses Million Dollar Lips! e à semelhança do ano passado prendeu a atenção de um dos autores presentes, neste caso o italiano Mattotti.
DOMINGO...
E o sol sem dar tréguas. Uma visita guiada ao centro de Beja onde estavam presentes mais bejenses que visitantes de outras cidades coincidiu com o debate da Associação de Autores de Banda Desenhada. Esta reunião que dizem ter sido pouco frequentada parece mais uma vez confirmar a ideia de que apesar do muito que se fala e se podia fazer, a mesma “meia dúzia de cromos” da BD não se consegue juntar num grupo coeso. Ainda assim, do que depreendi do relato de algumas pessoas presentes, a associação parece ter dado alguns passos no sentido de tentar ter alguém que se dedique a tempo inteiro de forma a aliar esforços que neste momento estão dispersos em diversos projectos e que se poderiam unir em alguns poucos com mais impacto e pujança.
O dia foi preenchido com conversas, workshops e apresentações, algumas das quais adiadas do dia anterior como as do Venham+5 #6 e O Maior de Todos os Tesouros de Carlos Rocha. Todos os anos por esta altura já é habitual a apresentação de um novo número da antologia Venham+5 que este ano muita gente estranhou ser tão “fininha” já o número de autores que participaram diminuiu.
Destaque para a apresentação de um novo autor de BD humorística, Carlos Rocha que apresentou o seu O Maior de Todos os Tesouros como parte integrante da colecção Toupeira.
Gary Erskine deu uma preciosa ajuda com o atelier “Entra no Mundo dos Comics” onde deu bastantes conselhos sobre como apresentar e melhorar um portfólio tendo analisado os de alguns autores presentes. Isto enquanto decorria na bedeteca as apresentações do Menino Triste de João Mascarenhas, Zona Zero e Celacanto.
Devido à sucessão de apresentações adiadas, todas estas apresentações ficaram atrasadas tendo a conversa com Craig Thompson sido adiada para as 18, altura em que infelizmente muitos de nós tiveram que sair.
De um modo geral penso que a edição deste ano fica marcada pelo “+”. + autores, + exposições, + pessoas, enfim, um festival mágico que já nos habituou a superar-se todos os anos.
Novidade nesta edição foi a sobreposição de vários eventos que infelizmente tornaram impossível assistir a todos, facto que comprova que o festival está a crescer bastante dando-se ao luxo de se dispersar em várias vertentes.
Este ano, os miúdos não foram esquecidos estando parte da programação bastante focada neles com os autores Rui Cardoso e Carlos Rocha disponíveis além de filmes e actividades para os entreterem.
De notar que a manga continua com a pujança habitual estando este ano representado com 4 (!) exposições (All-Girlz, All-Girlz Banzai, Luminus Box e Hugo Teixeira) além da apresentação do All-Girlz Galore e lançamento do Monótonos Monólogos de um Vagabundo – Entrevista com Hugo Teixeira.
O festival acabou neste último fim-de-semana e já se ouvem algumas críticas já habituais sobre a aposta no alternativo. A verdade é que, como já ouvi dizer, “o alternativo é o novo mainstream”. O chamado mainstream parece estar a definhar, pelo menos a ver nas editoras que editavam material traduzido, enquanto que os fanzines, edições de autor e outros com tiragens reduzidas são o que parece mais vingar num mercado que já viu (muitos) melhores dias. Percebo a crítica e de certa forma compreendo-a mas ainda me vão convencer que Craig Thomspon é alternativo! (dêem uma vista de olhos no catálogo da editora Fantagraphics).
Confirmados (em principio) para o próximo ano já estão Hypoolyte e Mike Mignola numa edição que Paulo Monteiro já descreveu que “Será o melhor de todos os festivais que fizemos e o pior de todos os que haveremos de fazer!”
Com estes nomes não há que enganar, mais uma vez será a melhor edição de sempre do festival alentejano.
Tenho que agradecer ao Paulo Monteiro pela possibilidade de estar presente para escrever esta rubrica e também por um excelente trabalho de organização que apesar de tudo deve ser provavelmente quem menos aproveita o festival estando ocupadíssimo a resolver problemas que os visitantes nem notaram.
Pderão ver mais fotos na minha conta do Flickr, mais propriamente na pasta sobre Beja 2009.

Mais um ano, mais uma edição do festival de Beja. Se o ano passado foi o desabrochar do festival com um ‘cabeça de cartaz’ sonante, este ano foi a confirmação. Da minha parte, fica aqui uma descrição dos dias 29 a 31 Maio.
Posso dizer que o festival, antes de ter começado oficialmente, me reservou muitas surpresas. Tendo escrito um texto sobre Gary Erskine para o Splaft, o catálogo do festival, fiquei extremamente surpreendido por saber que ia ter o privilégio de acompanhar Gary Erskine e a sua mulher na viagem de Lisboa para Beja onde pude constatar a enorme simpatia e simplicidade deste autor escocês.
Chegados à Galeria do Desassossego, já tínhamos à espera uma bela comitiva de autores constituída por Marco Mendes, Denis Deprés acompanhados pelas respectivas mulheres, Craig Thompson e Sierra Hahn, editora da Dark Horse (que surpresa das surpresas era a companheira de Craig) e o grande Mattotti. Isto sem falar da boa disposição de Geraldes Lino que chegou mais tarde.
Depois de termos experimentado os mais diversos estranho pratos da casa, começou a jornada na busca por um bar na noite bejense. Apesar de termos ‘perdido’ alguns companheiros nessa difícil campanha, fomos acompanhados pelo Hugo Teixeira e Vidazinha. Finalmente encontrado um bar com snooker que o Geraldes Lino tanto insistiu, uma alegre conversa bem regada com copos, desenhos (indecentes) e fotografias, a noite prolongou-se com um feroz combate de snooker entre as tropas portuguesas constituídas por Geraldes, Marcos e Hugo Teixeira contra os ianques Sierra e Craig que, verdade seja dita, não pareciam ter muito jeitinho para o jogo. Devido ao jet lag da viagem, Craig e Sierra tinham a pica toda para continuar no jogo mas como se costuma dizer, no dia seguinte trabalha-se e acabamos o jogo às 3 da manhã com um empate.
SÁBADO, ABERTURA DO FESTIVAL
Devido ao vento e temperaturas algo baixas na edição anterior, este ano foi decidido um adiamento do festival para uma altura de bom tempo. E que tempo! Céu limpo e temperaturas a rondarem os 40º que deixavam qualquer um de rastos, ainda para mais americanos e escoceses pouco habituados a este calor.
Ainda assim, este maravilhoso e terrível tempo não demoveu imensa gente de sair à rua e comparecer para a abertura do festival que, como é da praxe, se atrasou. Nada que não se revolvesse com 2 dedos de conversa com conhecidos e autores no mercado do livro. Após o discurso inaugural do Presidente da Câmara, as portas ficaram abertas para se poderem apreciar as diversas exposições. Tantas onde destaco o novo valor nacional que é Carlos Rocha, a vasta exposição de Mattotti, a diversidade de Gary Erskine e a simplicidade do traço de Craig Thompson.
O maior afluxo de visitantes ao festival também se sentiu nos autógrafos onde Thompson foi dos mais requisitados e Erskine o mais demorado porque além de falar pelos cotovelos, dedicava-se a fazer desenhos com enorme atenção ao detalhe. Eram quase 20 horas e ainda estava a atender pedidos.

A programação continuou com as inaugurações das exposições Luminus Box, Venham+5, Voyager e Hugo Teixeira na Biblioteca Municipal, seguindo para o Museu Jorge Vieira – Casa das Artes com a exposição de Marco Mendes e finalmente acabando no Museu Regional de Beja, onde a obra de Alex Gozblau estava exposta e se realizou o habitual jantar volante.
Este jantar ficou marcado por uma justíssima homenagem a Geraldes Lino que foi apanhado desprevenido tendo ficado sem palavras. Uma homenagem pelo trabalho feito na área dos fanzines, pela sua extrema dedicação à nona arte e pela criação da tertúlia de BD de Lisboa que fez 24 anos nesta última quarta-feira, dia 3 Junho. Além do discurso do Presidente da Câmara de Beja, este ofereceu 4 medalhas da cidade e uma placa alusiva à homenagem.
Com muitos copos e boa disposição à mistura, os bedéfilos tomaram conta da Galeria do Desassossego onde este ano se realizou o concerto com os portugueses Million Dollar Lips! e à semelhança do ano passado prendeu a atenção de um dos autores presentes, neste caso o italiano Mattotti.
DOMINGO...E o sol sem dar tréguas. Uma visita guiada ao centro de Beja onde estavam presentes mais bejenses que visitantes de outras cidades coincidiu com o debate da Associação de Autores de Banda Desenhada. Esta reunião que dizem ter sido pouco frequentada parece mais uma vez confirmar a ideia de que apesar do muito que se fala e se podia fazer, a mesma “meia dúzia de cromos” da BD não se consegue juntar num grupo coeso. Ainda assim, do que depreendi do relato de algumas pessoas presentes, a associação parece ter dado alguns passos no sentido de tentar ter alguém que se dedique a tempo inteiro de forma a aliar esforços que neste momento estão dispersos em diversos projectos e que se poderiam unir em alguns poucos com mais impacto e pujança.
O dia foi preenchido com conversas, workshops e apresentações, algumas das quais adiadas do dia anterior como as do Venham+5 #6 e O Maior de Todos os Tesouros de Carlos Rocha. Todos os anos por esta altura já é habitual a apresentação de um novo número da antologia Venham+5 que este ano muita gente estranhou ser tão “fininha” já o número de autores que participaram diminuiu.
Destaque para a apresentação de um novo autor de BD humorística, Carlos Rocha que apresentou o seu O Maior de Todos os Tesouros como parte integrante da colecção Toupeira.
Gary Erskine deu uma preciosa ajuda com o atelier “Entra no Mundo dos Comics” onde deu bastantes conselhos sobre como apresentar e melhorar um portfólio tendo analisado os de alguns autores presentes. Isto enquanto decorria na bedeteca as apresentações do Menino Triste de João Mascarenhas, Zona Zero e Celacanto.Devido à sucessão de apresentações adiadas, todas estas apresentações ficaram atrasadas tendo a conversa com Craig Thompson sido adiada para as 18, altura em que infelizmente muitos de nós tiveram que sair.
De um modo geral penso que a edição deste ano fica marcada pelo “+”. + autores, + exposições, + pessoas, enfim, um festival mágico que já nos habituou a superar-se todos os anos.
Novidade nesta edição foi a sobreposição de vários eventos que infelizmente tornaram impossível assistir a todos, facto que comprova que o festival está a crescer bastante dando-se ao luxo de se dispersar em várias vertentes.
Este ano, os miúdos não foram esquecidos estando parte da programação bastante focada neles com os autores Rui Cardoso e Carlos Rocha disponíveis além de filmes e actividades para os entreterem.
De notar que a manga continua com a pujança habitual estando este ano representado com 4 (!) exposições (All-Girlz, All-Girlz Banzai, Luminus Box e Hugo Teixeira) além da apresentação do All-Girlz Galore e lançamento do Monótonos Monólogos de um Vagabundo – Entrevista com Hugo Teixeira.O festival acabou neste último fim-de-semana e já se ouvem algumas críticas já habituais sobre a aposta no alternativo. A verdade é que, como já ouvi dizer, “o alternativo é o novo mainstream”. O chamado mainstream parece estar a definhar, pelo menos a ver nas editoras que editavam material traduzido, enquanto que os fanzines, edições de autor e outros com tiragens reduzidas são o que parece mais vingar num mercado que já viu (muitos) melhores dias. Percebo a crítica e de certa forma compreendo-a mas ainda me vão convencer que Craig Thomspon é alternativo! (dêem uma vista de olhos no catálogo da editora Fantagraphics).
Confirmados (em principio) para o próximo ano já estão Hypoolyte e Mike Mignola numa edição que Paulo Monteiro já descreveu que “Será o melhor de todos os festivais que fizemos e o pior de todos os que haveremos de fazer!”
Com estes nomes não há que enganar, mais uma vez será a melhor edição de sempre do festival alentejano.
Tenho que agradecer ao Paulo Monteiro pela possibilidade de estar presente para escrever esta rubrica e também por um excelente trabalho de organização que apesar de tudo deve ser provavelmente quem menos aproveita o festival estando ocupadíssimo a resolver problemas que os visitantes nem notaram.
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09 November 2008
Diário de Bordo V - FIBDA 2008
Recuperado mais um Diário de Bordo. Desta vez a visita foi feita ao festival da Amadora que este ano esteve muito bom. Não quis abusar mais da vossa paciência senão tinha escrito mais.
E aqui as sugestões de compra para este ano:


Material estrangeiro já toda a gente conhece. Apoiemos a produção nacional.
COMPREM!!!!
Ia ter um conto publicado no Venham +5 a ser lançado neste FIBDA. Acontece que não há Venham +5 este FIBDA... Fica a dúvida se sairá no próximo número (por altura do festival de Beja) ou nalgum BDjornal ou antologia. Os desenhos (muito bons por sinal) são do Véte!
No BDjornal #23, estão pranchas dos Murmúrios das Profundezas. Em pré-publicação... Quando o livro já está esgotado.
Novas críticas estão constantemente a ser adiadas. Já tenho um bom número de reviews meias feitas mas falta tempo. Entre elas: Fall of Cthulhu, World War Hulk, Captain America, Thor e outras que não me lembro.
Mais novidades: estou a entrevistar essa figura mítica que é o Pat Mills e prometo alguma polémica no resultado final... Se tiverem perguntas que valham a pena, digam-me que eu passo-as ao Pat.

A cidade da Amadora foi mais uma vez palco da maior festa da 9ª arte no nosso país. Nesta 19ª edição subordinada ao tema “Tecnologia e Ficção Científica”, todas as expectativas foram superadas e pouquíssimas criticas foram ouvidas. Na recta final deste ano, aqui fica o Diário Bordo do primeiro fim-de-semana.
Tendo visitado os últimos 5 anos do FIBDA, posso afirmar sem sombra de dúvida que o festival melhora a olhos vistos de ano para ano. Tudo este ano foi quase perfeito.
Imitando um ambiente futurista, toda a concepção do espaço do festival foi pensada como um grande astro-porto com direito a nave espacial alojada.
No piso térreo apresentavam-se o grosso das exposições num ambiente um pouco labiríntico mas muito bem decorado cheio de estranhas criaturas alienígenas e decoração a condizer com o tema de cada exposição.
A exposição do Dave McKean era em tudo semelhante à de Beja. Apresentava a mesma prancha do Asilo Arkham, amostras de Mirromask, Cages e a capa para o 1º comic da série Hellblazer. Ainda assim o grande destaque foi para a obra Mr. Punch com muitas pranchas, a maioria delas não expostas em Beja e com decoração a condizer com a obra.
A exposição de Oesterheld mais uma vez teve problemas. À semelhança do festival Viñetas desde o Atlántico, não foi possível expor originais do autor. Se se pensava que o problema com o festival de Corunha em Agosto tinha sido isolado, agora confirma-se a ideia que o autor assassinado ainda é um assunto que não agrada à Argentina apesar da mudança de regime.
Destaque ainda para as exposições do fanzine Venham +5, os originais do concurso deste ano que revelam muitos excelentes novos autores, Luís Henriques que mostra o quão versátil é e Rui Lacas que infelizmente tinha em exposição uma prancha e uma das paredes decorada com uma cena do livro que em muito estraga a história a quem não a leu.
O piso -1 foi projectado à semelhança de uma grande e comprida nave espacial cheia de recantos escondidos com surpresas. Quando se pensava que se tinha visto tudo, havia sempre mais um canto com uma novidade. Se por um lado imita o ambiente de uma nave, por outro alguns visitantes podem perder as exposições
Com a zona comercial logo à cabeça, a “nave” estendia-se para a zona de autógrafos ladeada pelas 3 exposições, e continuando em varias divisões até ao fim do espaço onde se encontrava a exposição Star Wars.
O destaque deste piso vai para a surpresa que foi a exposição da delegação chinesa, Menino Triste do João Mascarenhas e Tara McPherson que só pecava por não ter mais originais já que a maioria da exposição era composta por prints de edição limitada que estão disponíveis no site oficial da ilustradora.
Apesar da excelente qualidade das exposições, a grande desilusão foi na minha opinião a exposição Star Wars. Basicamente uma exposição de coleccionáveis ligados à obra (miniaturas, action figures, estatuetas, etc.) e alguns posters da trilogia original e imagens do mais recente filme (Clone Wars), esta exposição peca precisamente pela falta de variedade. Com um universo tão rico e variado como este, não existe falta de material para exposição. Existe uma imensa variedade de BDs relacionados com este universo que fariam mais sentido estarem expostos. E ainda para mais quando um dos autores convidados para o 1º fim-de-semana, Pat Mills, já participou com alguns comics para este imenso mosaico de histórias.
O fim-de-semana foi bem concorrido com uma diferença abismal no Domingo. No Sábado andava-se muito à vontade por todo o lado mas no Domingo, especialmente na zona de autógrafos, notou-se uma maior afluência.
Os autógrafos, contrariando o caso Manara do ano passado, correram muito bem. O espaço estava genialmente projectado apesar de algumas queixas por parte dos autores que tinham pouco espaço e luz e das pessoas na fila que tinham que se abaixar como se estivessem num guiché de alguma repartição pública.
Dave McKean esteve presente no Sábado ao fim da tarde passeando anonimamente por algumas exposições. No Domingo, repetindo muito do que já tinha dito no Festival de BD de Beja, fez uma conferência e sessão de perguntas a um vasto público. Alguns metros adiante, estava a formar-se uma fila para os autógrafos ainda antes do autor chegar ao recinto. Apesar de ter sido a maior fila deste fim-de-semana, o autor conseguiu despachar desenhos e assinaturas a um bom ritmo e toda a gente levou para casa mais alguns livros assinados. Mesmo havendo um limite de um desenho e três livros por pessoa, o autor fez questão de presentear os detentores do guião do Mirrormask com um desenho extra apesar da pressa que tinha para apanhar o avião que partia em poucas horas.
Pat Mills sempre impecável teve pouca afluência. Por ser escritor, os autógrafos tendem a ser rápidos e o facto de ter pouco material à venda contribuiu para poucas assinaturas mas isso não o impedia de ser extremamente simpático, falando pelos cotovelos com Kevin O’Neill ou outras pessoas que o abordassem.
O mais engraçado nesta dupla inseparável foi ficarem deslumbrados com certos livros que as pessoas lhes pediam para assinarem. Esgotados há muitos anos, nem os próprios autores tinham um exemplar e assim trocaram muitos endereços de lojas com esse material ainda disponível.
Kevin O’Neill, tendo esquecido do material de desenho no hotel, teve que improvisar com simples canetas de esfera, fazendo desenhos rápidos e que desiludiram um pouco quem estava à espera do detalhe que o autor apresenta na Liga de Cavalheiros Extraordinários. Foi um dos autores que viu a procura aumentar bastante de Sábado para Domingo sempre disponível para o elevadíssimo numero de exemplares de livros da Liga que toda a gente parecia possuir.
Apesar de estar impedido de dar detalhes das novas aventuras, Kevin deixou “escapar” que a série a próxima aventura editada pela Top Shelf se passará no século XX e apresentará novas personagens. Será que vamos ter uma nova Liga completamente refeita?
Tara McPherson sempre muito cordial começou com poucas pessoas no Sábado e acabou no Domingo com filas contínuas. Com bastantes sorrisos e desenhos simples, esta autora mais conhecida pelos seus trabalhos de ilustração para bandas foi uma das estrelas do fim-de-semana. Foi outro dos artistas que viu a procura aumentar substancialmente de Sábado para Domingo.
Liberatore e Esteban Maroto tiveram uma procura regular durante todo o fim-de-semana. Ambos grandes desenhadores, as filas para ambos eram muito demoradas mas o incrível detalhe e cuidado que dedicavam a cada desenho compensavam a espera e as pernas doridas. Esta grande procura ainda fez esgotar no Domingo todos os desenhos do portfólio que o Maroto tinha venda a preços muito simpáticos.
Os autores portugueses estiveram sempre bem representados com os habituais Ricardo Cabral, João Mascarenhas, equipa da Kingpin of Comics ou o omnipresente José Carlos Fernandes.
Só foi pena a malta da Marvel não ter aparecido para uma apresentação ou sessão de autógrafos conjunta.
Com uma edição tão cuidada, fica a questão de como conseguirá o festival crescer ainda mais na próxima edição quando já atingiu um tão elevado nível na qualidade dos autores, exposições e espaço que oferece.
Venha o que vier para a próxima edição subordinada ao tema “O Grande Vigésimo”, estaremos aqui para a acompanhar o maior festival do nosso país.
E aqui as sugestões de compra para este ano:


Material estrangeiro já toda a gente conhece. Apoiemos a produção nacional.
COMPREM!!!!
Ia ter um conto publicado no Venham +5 a ser lançado neste FIBDA. Acontece que não há Venham +5 este FIBDA... Fica a dúvida se sairá no próximo número (por altura do festival de Beja) ou nalgum BDjornal ou antologia. Os desenhos (muito bons por sinal) são do Véte!
No BDjornal #23, estão pranchas dos Murmúrios das Profundezas. Em pré-publicação... Quando o livro já está esgotado.
Novas críticas estão constantemente a ser adiadas. Já tenho um bom número de reviews meias feitas mas falta tempo. Entre elas: Fall of Cthulhu, World War Hulk, Captain America, Thor e outras que não me lembro.
Mais novidades: estou a entrevistar essa figura mítica que é o Pat Mills e prometo alguma polémica no resultado final... Se tiverem perguntas que valham a pena, digam-me que eu passo-as ao Pat.

A cidade da Amadora foi mais uma vez palco da maior festa da 9ª arte no nosso país. Nesta 19ª edição subordinada ao tema “Tecnologia e Ficção Científica”, todas as expectativas foram superadas e pouquíssimas criticas foram ouvidas. Na recta final deste ano, aqui fica o Diário Bordo do primeiro fim-de-semana.
Tendo visitado os últimos 5 anos do FIBDA, posso afirmar sem sombra de dúvida que o festival melhora a olhos vistos de ano para ano. Tudo este ano foi quase perfeito.
Imitando um ambiente futurista, toda a concepção do espaço do festival foi pensada como um grande astro-porto com direito a nave espacial alojada.
No piso térreo apresentavam-se o grosso das exposições num ambiente um pouco labiríntico mas muito bem decorado cheio de estranhas criaturas alienígenas e decoração a condizer com o tema de cada exposição.
A exposição do Dave McKean era em tudo semelhante à de Beja. Apresentava a mesma prancha do Asilo Arkham, amostras de Mirromask, Cages e a capa para o 1º comic da série Hellblazer. Ainda assim o grande destaque foi para a obra Mr. Punch com muitas pranchas, a maioria delas não expostas em Beja e com decoração a condizer com a obra.A exposição de Oesterheld mais uma vez teve problemas. À semelhança do festival Viñetas desde o Atlántico, não foi possível expor originais do autor. Se se pensava que o problema com o festival de Corunha em Agosto tinha sido isolado, agora confirma-se a ideia que o autor assassinado ainda é um assunto que não agrada à Argentina apesar da mudança de regime.
Destaque ainda para as exposições do fanzine Venham +5, os originais do concurso deste ano que revelam muitos excelentes novos autores, Luís Henriques que mostra o quão versátil é e Rui Lacas que infelizmente tinha em exposição uma prancha e uma das paredes decorada com uma cena do livro que em muito estraga a história a quem não a leu.
O piso -1 foi projectado à semelhança de uma grande e comprida nave espacial cheia de recantos escondidos com surpresas. Quando se pensava que se tinha visto tudo, havia sempre mais um canto com uma novidade. Se por um lado imita o ambiente de uma nave, por outro alguns visitantes podem perder as exposições
Com a zona comercial logo à cabeça, a “nave” estendia-se para a zona de autógrafos ladeada pelas 3 exposições, e continuando em varias divisões até ao fim do espaço onde se encontrava a exposição Star Wars.
O destaque deste piso vai para a surpresa que foi a exposição da delegação chinesa, Menino Triste do João Mascarenhas e Tara McPherson que só pecava por não ter mais originais já que a maioria da exposição era composta por prints de edição limitada que estão disponíveis no site oficial da ilustradora.
Apesar da excelente qualidade das exposições, a grande desilusão foi na minha opinião a exposição Star Wars. Basicamente uma exposição de coleccionáveis ligados à obra (miniaturas, action figures, estatuetas, etc.) e alguns posters da trilogia original e imagens do mais recente filme (Clone Wars), esta exposição peca precisamente pela falta de variedade. Com um universo tão rico e variado como este, não existe falta de material para exposição. Existe uma imensa variedade de BDs relacionados com este universo que fariam mais sentido estarem expostos. E ainda para mais quando um dos autores convidados para o 1º fim-de-semana, Pat Mills, já participou com alguns comics para este imenso mosaico de histórias.
O fim-de-semana foi bem concorrido com uma diferença abismal no Domingo. No Sábado andava-se muito à vontade por todo o lado mas no Domingo, especialmente na zona de autógrafos, notou-se uma maior afluência.
Os autógrafos, contrariando o caso Manara do ano passado, correram muito bem. O espaço estava genialmente projectado apesar de algumas queixas por parte dos autores que tinham pouco espaço e luz e das pessoas na fila que tinham que se abaixar como se estivessem num guiché de alguma repartição pública.
Dave McKean esteve presente no Sábado ao fim da tarde passeando anonimamente por algumas exposições. No Domingo, repetindo muito do que já tinha dito no Festival de BD de Beja, fez uma conferência e sessão de perguntas a um vasto público. Alguns metros adiante, estava a formar-se uma fila para os autógrafos ainda antes do autor chegar ao recinto. Apesar de ter sido a maior fila deste fim-de-semana, o autor conseguiu despachar desenhos e assinaturas a um bom ritmo e toda a gente levou para casa mais alguns livros assinados. Mesmo havendo um limite de um desenho e três livros por pessoa, o autor fez questão de presentear os detentores do guião do Mirrormask com um desenho extra apesar da pressa que tinha para apanhar o avião que partia em poucas horas.
O mais engraçado nesta dupla inseparável foi ficarem deslumbrados com certos livros que as pessoas lhes pediam para assinarem. Esgotados há muitos anos, nem os próprios autores tinham um exemplar e assim trocaram muitos endereços de lojas com esse material ainda disponível.
Kevin O’Neill, tendo esquecido do material de desenho no hotel, teve que improvisar com simples canetas de esfera, fazendo desenhos rápidos e que desiludiram um pouco quem estava à espera do detalhe que o autor apresenta na Liga de Cavalheiros Extraordinários. Foi um dos autores que viu a procura aumentar bastante de Sábado para Domingo sempre disponível para o elevadíssimo numero de exemplares de livros da Liga que toda a gente parecia possuir.
Apesar de estar impedido de dar detalhes das novas aventuras, Kevin deixou “escapar” que a série a próxima aventura editada pela Top Shelf se passará no século XX e apresentará novas personagens. Será que vamos ter uma nova Liga completamente refeita?
Tara McPherson sempre muito cordial começou com poucas pessoas no Sábado e acabou no Domingo com filas contínuas. Com bastantes sorrisos e desenhos simples, esta autora mais conhecida pelos seus trabalhos de ilustração para bandas foi uma das estrelas do fim-de-semana. Foi outro dos artistas que viu a procura aumentar substancialmente de Sábado para Domingo.
Liberatore e Esteban Maroto tiveram uma procura regular durante todo o fim-de-semana. Ambos grandes desenhadores, as filas para ambos eram muito demoradas mas o incrível detalhe e cuidado que dedicavam a cada desenho compensavam a espera e as pernas doridas. Esta grande procura ainda fez esgotar no Domingo todos os desenhos do portfólio que o Maroto tinha venda a preços muito simpáticos.
Os autores portugueses estiveram sempre bem representados com os habituais Ricardo Cabral, João Mascarenhas, equipa da Kingpin of Comics ou o omnipresente José Carlos Fernandes.
Só foi pena a malta da Marvel não ter aparecido para uma apresentação ou sessão de autógrafos conjunta.
Com uma edição tão cuidada, fica a questão de como conseguirá o festival crescer ainda mais na próxima edição quando já atingiu um tão elevado nível na qualidade dos autores, exposições e espaço que oferece.
Venha o que vier para a próxima edição subordinada ao tema “O Grande Vigésimo”, estaremos aqui para a acompanhar o maior festival do nosso país.
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21 August 2008
Diário de Bordo IV - Viñetas desde o Atlántico, um festival de lições
Bem sei que não tenho dito nada. Ando meio ocupado com Venham +5, concurso do FIBDA, Zé Manel. A outra metade é com filmes, alguma BD e lutar para acabar de ler os livros.
E agora com 2 semaninhas no Algarve dedicadas à leitura já que (finalmente!) vou estar longe de computadores que só me distraem das leituras lol
Fica aqui o mais recente Diário de Bordo, desta vez referente ao festival Viñetas desde o Atlántico em Corunha. Amadora, aprendam com Corunha! Corunha, aprendam com a Amadora!
PS-Infelizmente não há fotos porque estupidamente só me lembrei da máquina quando chegamos a Corunha...

Num país que apoia bastante a cultura e tem uma pujança editorial que só vendo para crer, o Viñetas desde o Atlántico afirma-se como um dos maiores festivais de Espanha. O Diário de Bordo seguiu para o país de nuestros hermanos para visitar durante o dia 15 Agosto o festival da Coruña que celebra este ano a sua 11ª edição.
DIVULGAÇÃO
A divulgação deste festival é excepcional. Logo à entrada da cidade já é possível ver cartazes com o símbolo do festival (que foi criado pelo Miguelanxo Prado na primeira edição do festival) em todos os postes de iluminação além de reproduções em tamanho real de inúmeras personagens de BD em pontos-chave da cidade. É uma boa maneira de reutilizar a publicidade sem haver necessidade de criar novos cartazes todos os anos só porque o desenho do cartaz e o número da edição do festival mudou.
Pode-se dizer que este festival vive da cidade. Lojas que aproveitam o movimento do festival para estarem abertas mais tempo; promoções; e uma população que sai à rua para visitar exposições e bancas que não tem preconceito em relação à BD.
EXPOSIÇÕES
Semelhante a Beja, o festival divide-se em vários locais no centro da cidade. O local dos autógrafos (Palexco), as bancas e o edifício da Fundación Caixa Galicia encontram-se todos na mesma zona das 3 avenidas junto ao porto ao alcance de alguns metros a pé.
As exposições de David Aja e Daniel Acuña situavam-se no equivalente à Câmara Municipal, na praça coração da cidade, obrigando desta forma a conhecer mais da cidade e tudo a uma distância muito acessível.
Estando o Kiosk Alfonso, habitual e principal espaço de exposições do festival ocupado com outra exposição referente à comemoração do 800º aniversário da cidade, algumas exposições deste ano foram transferidas para o edifício Fundación Caixa Galicia propriedade do banco homónimo.
Além das excelentes exposições de Mark Buckingham, Solano López (que devido a problemas, teve em exposição cópias digitais de várias pranchas que muito perdiam para os originais) e da dupla Étienne Le Roux e Luc Brunschwig, quem visitasse o edifício tinha ainda direito a uma exposição do Museu Prado: El Retrato en el Prado. De Goya a Sorolla. Tudo muito bem apresentável e com nível (pena não deixarem tirar fotografias).
No Palexco, muito espaço livre e simplicidade ao máximo reinavam no que era também o espaço para autógrafos. As exposições presentes eram de Howard Cruse, Miguel Gallardo, Paco Roca, Oliver Ka e José-Louis Bocquet e Catel Muller.
ESPAÇO COMERCIAL
As bancas situam-se no exterior, mesmo em frente da Fundación Caixa Galicia. O espaço comercial está completamente desligado do espaço dos autógrafos e isto por um lado permite potenciar as vendas com os leitores ocasionais de passagem e também evitar que num espaço limitado se formem pequenas multidões mas por outro perde nos autógrafos por não se ter à mão uma banca com as obras dos autores. O exemplo da Amadora podia ser aqui seguido mas percebe-se que o mais importante torna-se divulgar as publicações e vender àqueles que não se preocupam com autógrafos.
O espaço comercial com mais de 40 bancas (!!!) dá para ter uma ideia da pujança que o mercado bedéfilo tem em Espanha. Este monstro editorial é constituído por um elevado número de editoras de todos os tipos e editam praticamente tudo o que se vê lá fora sem nunca esquecer os autores nacionais muito bem representados e editados em grandes quantidades. Não deixei de reparar que até uma dessas editoras, a Astiberri tem no catálogo para este ano o anúncio do lançamento para este ano da Agência de Viagens Lemming do omnipresente José Carlos Fernandes.
É possível encontrar virtualmente tudo o que saiu no estrangeiro traduzido. Desde as grandes editoras americanas passando pelos gigantes da manga, underground, franco-belga e tudo o que é possível imaginar.
Num país que traduz tudo é extremamente difícil encontrar material na língua original e é engraçado de ver que, tal como nos EUA, também em Espanha, em imensos títulos das grandes editoras, primeiro lançam-se os comics e depois recolhem-se os arcos de estórias em trades ou HC em edições que são tão ou até mesmo melhores que as estrangeiras sendo raros os casos em que se tornam mais caros que os originais.
AUTÓGRAFOS
Além da diferença no espaço comercial desligado dos autógrafos, no Palexco, local dos mesmos, a disposição das mesas é bastante diferentes do habitual nos festivais. Os autores estão espalhados pelo local e caso tenham arte exposta no edifício ficam junto da sua respectiva exposição.
A organização aqui esteve muito má. Os autores e visitantes são deixados desamparados pois não era possível encontrar ninguém da organização devidamente identificado que pudesse ajudar.
Com a estrela do cartaz deste ano, Mark Buckingham, sem mesa, deduziu-se que o autor tinha faltado a esta edição. Resignando-me a perguntar a um “segurança del patrimonio” se o Buckingham iria comparecer, penso que obteria melhor resultado se lhe tivesse perguntado quando seria o próximo alinhamento de Marte com Vénus.
A sessão de autógrafos com Daniel Acuña e David Aja, dois heróis nacionais que actualmente trabalham para títulos da Marvel, tornou-se algo desesperante e decepcionante do ponto de vista da espera. Sem ninguém para controlar o tamanho das filas, grande parte dos fãs perdeu a oportunidade de obterem desenhos e firmas (assinaturas). O tempo que eles gastavam para cada fã era demasiado para as duas horas (que ainda se arrastaram por mais meia hora) e a dada altura os autores tiveram que anunciar que não iam fazer mais desenhos naquele dia. Mais outro exemplo da falta de organização que os espanhóis aparentemente demonstram muitas vezes.
Pelo menos os desenhos e a simpatia dos autores compensaram o enorme tempo de espera.
ORGANIZAÇÃO
No geral a organização está de parabéns. O festival é excelente, muito bem divulgado e organizado apesar do problema das pessoas desamparadas no Palexco e o muito habitual facto de ainda anunciarem confirmações e horários até ao último dia no blog oficial Viñetas desde o Atlántico.
A organização nisto tem algumas coisas a aprender com a Amadora por exemplo e de certa forma, a Amadora também pode seguir alguns exemplos de Corunha e Beja.
O Viñetas desde o Atlântico concentra apresentações durante uma semana, autógrafos em 2 dias com os autores todos reunidos e as exposições ficam acessíveis durante o mês quase todo. O FIBDB concentra num fim-de-semana as sessões de autógrafos e as apresentações mais relevantes com outros eventos a preencherem os restantes dias
Um festival devia concentrar todos os seus participantes dando, assim, oportunidade de se apreciar ao máximo a festa que é.
Um dia chega perfeitamente para conhecer o festival mas o ideal são 2 dias de forma a ter-se tempo para estar com todos os autores, ver todas as exposições e conhecer melhor a cidade que vale bem a pena. É um excelente festival, obrigatório no guia de “festivais a visitar um dia”.
E agora com 2 semaninhas no Algarve dedicadas à leitura já que (finalmente!) vou estar longe de computadores que só me distraem das leituras lol
Fica aqui o mais recente Diário de Bordo, desta vez referente ao festival Viñetas desde o Atlántico em Corunha. Amadora, aprendam com Corunha! Corunha, aprendam com a Amadora!
PS-Infelizmente não há fotos porque estupidamente só me lembrei da máquina quando chegamos a Corunha...

Num país que apoia bastante a cultura e tem uma pujança editorial que só vendo para crer, o Viñetas desde o Atlántico afirma-se como um dos maiores festivais de Espanha. O Diário de Bordo seguiu para o país de nuestros hermanos para visitar durante o dia 15 Agosto o festival da Coruña que celebra este ano a sua 11ª edição.
DIVULGAÇÃO
A divulgação deste festival é excepcional. Logo à entrada da cidade já é possível ver cartazes com o símbolo do festival (que foi criado pelo Miguelanxo Prado na primeira edição do festival) em todos os postes de iluminação além de reproduções em tamanho real de inúmeras personagens de BD em pontos-chave da cidade. É uma boa maneira de reutilizar a publicidade sem haver necessidade de criar novos cartazes todos os anos só porque o desenho do cartaz e o número da edição do festival mudou.
Pode-se dizer que este festival vive da cidade. Lojas que aproveitam o movimento do festival para estarem abertas mais tempo; promoções; e uma população que sai à rua para visitar exposições e bancas que não tem preconceito em relação à BD.
EXPOSIÇÕES
Semelhante a Beja, o festival divide-se em vários locais no centro da cidade. O local dos autógrafos (Palexco), as bancas e o edifício da Fundación Caixa Galicia encontram-se todos na mesma zona das 3 avenidas junto ao porto ao alcance de alguns metros a pé.
As exposições de David Aja e Daniel Acuña situavam-se no equivalente à Câmara Municipal, na praça coração da cidade, obrigando desta forma a conhecer mais da cidade e tudo a uma distância muito acessível.
Estando o Kiosk Alfonso, habitual e principal espaço de exposições do festival ocupado com outra exposição referente à comemoração do 800º aniversário da cidade, algumas exposições deste ano foram transferidas para o edifício Fundación Caixa Galicia propriedade do banco homónimo.
Além das excelentes exposições de Mark Buckingham, Solano López (que devido a problemas, teve em exposição cópias digitais de várias pranchas que muito perdiam para os originais) e da dupla Étienne Le Roux e Luc Brunschwig, quem visitasse o edifício tinha ainda direito a uma exposição do Museu Prado: El Retrato en el Prado. De Goya a Sorolla. Tudo muito bem apresentável e com nível (pena não deixarem tirar fotografias).
No Palexco, muito espaço livre e simplicidade ao máximo reinavam no que era também o espaço para autógrafos. As exposições presentes eram de Howard Cruse, Miguel Gallardo, Paco Roca, Oliver Ka e José-Louis Bocquet e Catel Muller.
ESPAÇO COMERCIAL
As bancas situam-se no exterior, mesmo em frente da Fundación Caixa Galicia. O espaço comercial está completamente desligado do espaço dos autógrafos e isto por um lado permite potenciar as vendas com os leitores ocasionais de passagem e também evitar que num espaço limitado se formem pequenas multidões mas por outro perde nos autógrafos por não se ter à mão uma banca com as obras dos autores. O exemplo da Amadora podia ser aqui seguido mas percebe-se que o mais importante torna-se divulgar as publicações e vender àqueles que não se preocupam com autógrafos.
O espaço comercial com mais de 40 bancas (!!!) dá para ter uma ideia da pujança que o mercado bedéfilo tem em Espanha. Este monstro editorial é constituído por um elevado número de editoras de todos os tipos e editam praticamente tudo o que se vê lá fora sem nunca esquecer os autores nacionais muito bem representados e editados em grandes quantidades. Não deixei de reparar que até uma dessas editoras, a Astiberri tem no catálogo para este ano o anúncio do lançamento para este ano da Agência de Viagens Lemming do omnipresente José Carlos Fernandes.
É possível encontrar virtualmente tudo o que saiu no estrangeiro traduzido. Desde as grandes editoras americanas passando pelos gigantes da manga, underground, franco-belga e tudo o que é possível imaginar.
Num país que traduz tudo é extremamente difícil encontrar material na língua original e é engraçado de ver que, tal como nos EUA, também em Espanha, em imensos títulos das grandes editoras, primeiro lançam-se os comics e depois recolhem-se os arcos de estórias em trades ou HC em edições que são tão ou até mesmo melhores que as estrangeiras sendo raros os casos em que se tornam mais caros que os originais.
AUTÓGRAFOSAlém da diferença no espaço comercial desligado dos autógrafos, no Palexco, local dos mesmos, a disposição das mesas é bastante diferentes do habitual nos festivais. Os autores estão espalhados pelo local e caso tenham arte exposta no edifício ficam junto da sua respectiva exposição.
A organização aqui esteve muito má. Os autores e visitantes são deixados desamparados pois não era possível encontrar ninguém da organização devidamente identificado que pudesse ajudar.
Com a estrela do cartaz deste ano, Mark Buckingham, sem mesa, deduziu-se que o autor tinha faltado a esta edição. Resignando-me a perguntar a um “segurança del patrimonio” se o Buckingham iria comparecer, penso que obteria melhor resultado se lhe tivesse perguntado quando seria o próximo alinhamento de Marte com Vénus.
A sessão de autógrafos com Daniel Acuña e David Aja, dois heróis nacionais que actualmente trabalham para títulos da Marvel, tornou-se algo desesperante e decepcionante do ponto de vista da espera. Sem ninguém para controlar o tamanho das filas, grande parte dos fãs perdeu a oportunidade de obterem desenhos e firmas (assinaturas). O tempo que eles gastavam para cada fã era demasiado para as duas horas (que ainda se arrastaram por mais meia hora) e a dada altura os autores tiveram que anunciar que não iam fazer mais desenhos naquele dia. Mais outro exemplo da falta de organização que os espanhóis aparentemente demonstram muitas vezes.
Pelo menos os desenhos e a simpatia dos autores compensaram o enorme tempo de espera.
ORGANIZAÇÃO
No geral a organização está de parabéns. O festival é excelente, muito bem divulgado e organizado apesar do problema das pessoas desamparadas no Palexco e o muito habitual facto de ainda anunciarem confirmações e horários até ao último dia no blog oficial Viñetas desde o Atlántico.
A organização nisto tem algumas coisas a aprender com a Amadora por exemplo e de certa forma, a Amadora também pode seguir alguns exemplos de Corunha e Beja.
O Viñetas desde o Atlântico concentra apresentações durante uma semana, autógrafos em 2 dias com os autores todos reunidos e as exposições ficam acessíveis durante o mês quase todo. O FIBDB concentra num fim-de-semana as sessões de autógrafos e as apresentações mais relevantes com outros eventos a preencherem os restantes dias
Um festival devia concentrar todos os seus participantes dando, assim, oportunidade de se apreciar ao máximo a festa que é.
Um dia chega perfeitamente para conhecer o festival mas o ideal são 2 dias de forma a ter-se tempo para estar com todos os autores, ver todas as exposições e conhecer melhor a cidade que vale bem a pena. É um excelente festival, obrigatório no guia de “festivais a visitar um dia”.
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29 May 2008
Diário de Bordo III - IV FIBDB
O Festival de BD de Beja acabou no último fim-de-semana mas só agora é que está disponível na Centralcomics o meu texto sobre os meus dois dias lá passados. O objectivo inicial do Diário de Bordo era precisamente fazer "reviews" acerca dos festivais de BD nacionais mas na falta deles e da disponibilidade para ir, alarguei-o um pouquinho mais como poderão ver pelo texto da Asa.
Pelo que me disse o director do festival, Paulo Monteiro (os meus agradecimentos, sem o convite dele o mais provável era não ter ido por causa da despesa que é passar um fim de semana fora tão longe), as precisões deles apontavam que iam ter cerca de 6000 visitantes, mais 1000 que o ano passado.
Dave McKean tem destas coisas hehe
Olhar para a prateleira e ver aqueles Mirrormask Illustrated Script e Asilo Arkham e saber que não estão assinados... e ele ainda me ficou com o meu marcador prateado... Mais uma estória a somar aos festivais.
Fica aqui o mais recente Diário de Bordo.
Depois de um fim-de-semana passado em Beja, este Diário de Bordo retrata a minha primeira ida ao Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja que já vai na IV edição. Nunca houve a oportunidade vir a este festival mas este ano, aliando um nome sonante e o facto de ser a minha primeira ida a um festival como autor, não podia faltar.
Depois de duas viagens que duraram ao todo cerca de 5 horas, eis que chego a Beja carregado qual Pai Natal com livros para os autógrafos. Enquanto o festival não abria, houve oportunidade de ver a bem conseguida zona comercial situada no exterior da Casa da Cultura mas abrigada do tempo que prometia ser muito chuvoso. O espaço é bem agradável com o bom tempo alentejano e a sessão de autógrafos era para se realizar lá mas teve que ser movida para a bedeteca porque a temperatura baixou muito.
Depois de aberto oficialmente o festival, ficaram todos entregues às exposições. Destaque para a exposição do Gipi, BRK com algumas pranchas inéditas, João Lemos e o seu número do Avengers: Fairy Tales e, naturalmente, Dave McKean. Esta exposição, que só pecava por ser pequena, mostrava um pouco de todos os seus trabalhos (capas e pranchas de várias BDs) e os diferentes estilos e potencial deste excelente artista. Os originais das diferentes obras expostas iam desde pranchas de Asilo Arkham, Cages e Mr. Punch passando pelas brilhantes capas da série Hellblazer e Sandman, arte do filme Mirrormask e diferentes edições dos títulos em que o autor colaborou.
O festival não se esgotava apenas na Casa da Cultura/Bedeteca de Beja. Devido à demora que houve com os autógrafos que o Dave McKean andava a distribuir, a “tournée” por Beja para abrir as restantes exposições foi, em parte, cancelada. Ainda assim tivemos a oportunidade de ver algumas ao acompanhar o resto do programa.
O jantar no Sábado foi nos claustros do Museu Regional de Beja, um mosteiro desactivado onde na sacristia estão expostos originais da Susa Monteiro.
Depois do jantar, a festa continuou no Museu Jorge Vieira - Casa das Artes com exposição de Pepedelrey e Teresa Câmara Pestana e, para animar, questionário sobre BD.
A noite, já avançada, terminou com a actuação dos Jigsaw na Galeria do Desassossego local que o Dave McKean gostou por lhe fazer lembrar os clubes de Londres dos anos 80.
Esta forma de visitar o festival, que não cabe todo na Casa da Cultura, também é uma excelente maneira de conhecer parte da cidade. Todos os locais com exposições ficam muito próximos uns dos outros podendo ser visitados a pé e tudo sem ter que se pagar um único bilhete. Uma forma de mostrar aos bedéfilos que não conhecem Beja o que a cidade tem para oferecer para, quem sabe, a visitar uma próxima vez.
Já no Domingo foi a nossa oportunidade de nos estrearmos como autores. O projecto dos Murmúrios foi apresentado, teve bom público apesar de muita gente se ter atrasado e o interesse de várias pessoas incluindo o director do festival, Paulo Monteiro que desde já agradecemos o convite.
A nossa apresentação foi seguida de:
- Plano editorial da Kingpin of Comics para 2008;
- Qual Albatroz, uma nova editora que irá lançar o próximo livro do Menino Triste e ReEvolução 01/10 com a presença dos autores;
- Apresentação do livro “De trute ise aute der” e do fanzine/e-zine “Terminal” ambos a cargo de Phermad responsável pelas Edições DrMakete.
Não estando agendado, Dave McKean ainda fez uma muito interessante e demorada retrospectiva de quase todos os seus trabalhos em BD, ilustração e cinema.
Infelizmente não tive oportunidade de ficar para o final pois iria perder a viagem de regresso.
Não querendo tecer nenhuma crítica, não deixo de me perguntar que tipo de afluência teria o festival se um nome tão sonante como o do Dave McKean não estivesse no cartaz. Infelizmente poucas caras novas vêem-se neste tipo de eventos e são estes nomes que chamam fãs dos arredores (Lisboa por exemplo). Ainda assim não deixam de ser louváveis diferentes iniciativas como o torneio de Playstation, projecção de filmes, diferentes workshops e maratonas de BD que chamam outro tipo de público. Não esquecendo os mangakas, ainda há até ao final do festival oficinas de caligrafia japonesa e origami, shiatsu, cerimónia do chá, sessão de anime de 6 horas ininterruptamente com dobragem ao vivo e ainda jantar japonês.
Para os mais novos, aqueles que esperemos que sejam a próxima geração de bedéfilos, o programa é diversificado envolvendo teatro, ilustração e leitura.
O espaço da bedeteca, que antes só tinha visto em fotografias, é muito bem conseguido. Inserido na Casa da Cultura, ocupa apenas uma sala e tem praticamente tudo o que foi editado em Portugal a partir dos anos 70 e onde se incluiu também um belo catálogo de material importado muito diversificado. Esta bedeteca é a prova que não é preciso um espaço autónomo podendo muito bem ser enquadrável num outro qualquer equipamento cultural existente mais abrangente. Um exemplo a seguir por outras localidades, especialmente a norte que nunca viu equipamentos destes nem vê eventos desta importância há alguns anos.
O próprio director do festival foi muito simpático e acessível. Sempre presente era ao mesmo tempo guia, coordenador, … um faz-tudo dentro do festival sempre disponível para qualquer coisa.
O próprio festival é algo completamente diferente do que tenho visto na Amadora. Enquanto um vive para a parte “comercial” onde o importante é o triângulo exposição -autor - espaço comercial, neste festival, não deixando de parte estes três alicerces, vive-se um ambiente de maior “intimidade e familiaridade” devido à quantidade de caras conhecidas e à menor dimensão do mesmo. É um festival que aposta num bom ambiente onde numa hora se está numa fila de autógrafos para um autor como na outra já estamos numa alegre conversa com o mesmo numa exposição ou esplanada.
Pelo que me disse o director do festival, Paulo Monteiro (os meus agradecimentos, sem o convite dele o mais provável era não ter ido por causa da despesa que é passar um fim de semana fora tão longe), as precisões deles apontavam que iam ter cerca de 6000 visitantes, mais 1000 que o ano passado.Dave McKean tem destas coisas hehe
Olhar para a prateleira e ver aqueles Mirrormask Illustrated Script e Asilo Arkham e saber que não estão assinados... e ele ainda me ficou com o meu marcador prateado... Mais uma estória a somar aos festivais.
Fica aqui o mais recente Diário de Bordo.
Depois de um fim-de-semana passado em Beja, este Diário de Bordo retrata a minha primeira ida ao Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja que já vai na IV edição. Nunca houve a oportunidade vir a este festival mas este ano, aliando um nome sonante e o facto de ser a minha primeira ida a um festival como autor, não podia faltar.
Depois de duas viagens que duraram ao todo cerca de 5 horas, eis que chego a Beja carregado qual Pai Natal com livros para os autógrafos. Enquanto o festival não abria, houve oportunidade de ver a bem conseguida zona comercial situada no exterior da Casa da Cultura mas abrigada do tempo que prometia ser muito chuvoso. O espaço é bem agradável com o bom tempo alentejano e a sessão de autógrafos era para se realizar lá mas teve que ser movida para a bedeteca porque a temperatura baixou muito.
Depois de aberto oficialmente o festival, ficaram todos entregues às exposições. Destaque para a exposição do Gipi, BRK com algumas pranchas inéditas, João Lemos e o seu número do Avengers: Fairy Tales e, naturalmente, Dave McKean. Esta exposição, que só pecava por ser pequena, mostrava um pouco de todos os seus trabalhos (capas e pranchas de várias BDs) e os diferentes estilos e potencial deste excelente artista. Os originais das diferentes obras expostas iam desde pranchas de Asilo Arkham, Cages e Mr. Punch passando pelas brilhantes capas da série Hellblazer e Sandman, arte do filme Mirrormask e diferentes edições dos títulos em que o autor colaborou.
O festival não se esgotava apenas na Casa da Cultura/Bedeteca de Beja. Devido à demora que houve com os autógrafos que o Dave McKean andava a distribuir, a “tournée” por Beja para abrir as restantes exposições foi, em parte, cancelada. Ainda assim tivemos a oportunidade de ver algumas ao acompanhar o resto do programa.
O jantar no Sábado foi nos claustros do Museu Regional de Beja, um mosteiro desactivado onde na sacristia estão expostos originais da Susa Monteiro.
Depois do jantar, a festa continuou no Museu Jorge Vieira - Casa das Artes com exposição de Pepedelrey e Teresa Câmara Pestana e, para animar, questionário sobre BD.
A noite, já avançada, terminou com a actuação dos Jigsaw na Galeria do Desassossego local que o Dave McKean gostou por lhe fazer lembrar os clubes de Londres dos anos 80.
Esta forma de visitar o festival, que não cabe todo na Casa da Cultura, também é uma excelente maneira de conhecer parte da cidade. Todos os locais com exposições ficam muito próximos uns dos outros podendo ser visitados a pé e tudo sem ter que se pagar um único bilhete. Uma forma de mostrar aos bedéfilos que não conhecem Beja o que a cidade tem para oferecer para, quem sabe, a visitar uma próxima vez.
Já no Domingo foi a nossa oportunidade de nos estrearmos como autores. O projecto dos Murmúrios foi apresentado, teve bom público apesar de muita gente se ter atrasado e o interesse de várias pessoas incluindo o director do festival, Paulo Monteiro que desde já agradecemos o convite.
A nossa apresentação foi seguida de:
- Plano editorial da Kingpin of Comics para 2008;
- Qual Albatroz, uma nova editora que irá lançar o próximo livro do Menino Triste e ReEvolução 01/10 com a presença dos autores;
- Apresentação do livro “De trute ise aute der” e do fanzine/e-zine “Terminal” ambos a cargo de Phermad responsável pelas Edições DrMakete.
Não estando agendado, Dave McKean ainda fez uma muito interessante e demorada retrospectiva de quase todos os seus trabalhos em BD, ilustração e cinema.
Infelizmente não tive oportunidade de ficar para o final pois iria perder a viagem de regresso.
Não querendo tecer nenhuma crítica, não deixo de me perguntar que tipo de afluência teria o festival se um nome tão sonante como o do Dave McKean não estivesse no cartaz. Infelizmente poucas caras novas vêem-se neste tipo de eventos e são estes nomes que chamam fãs dos arredores (Lisboa por exemplo). Ainda assim não deixam de ser louváveis diferentes iniciativas como o torneio de Playstation, projecção de filmes, diferentes workshops e maratonas de BD que chamam outro tipo de público. Não esquecendo os mangakas, ainda há até ao final do festival oficinas de caligrafia japonesa e origami, shiatsu, cerimónia do chá, sessão de anime de 6 horas ininterruptamente com dobragem ao vivo e ainda jantar japonês.
Para os mais novos, aqueles que esperemos que sejam a próxima geração de bedéfilos, o programa é diversificado envolvendo teatro, ilustração e leitura.
O espaço da bedeteca, que antes só tinha visto em fotografias, é muito bem conseguido. Inserido na Casa da Cultura, ocupa apenas uma sala e tem praticamente tudo o que foi editado em Portugal a partir dos anos 70 e onde se incluiu também um belo catálogo de material importado muito diversificado. Esta bedeteca é a prova que não é preciso um espaço autónomo podendo muito bem ser enquadrável num outro qualquer equipamento cultural existente mais abrangente. Um exemplo a seguir por outras localidades, especialmente a norte que nunca viu equipamentos destes nem vê eventos desta importância há alguns anos.
O próprio director do festival foi muito simpático e acessível. Sempre presente era ao mesmo tempo guia, coordenador, … um faz-tudo dentro do festival sempre disponível para qualquer coisa.
O próprio festival é algo completamente diferente do que tenho visto na Amadora. Enquanto um vive para a parte “comercial” onde o importante é o triângulo exposição -autor - espaço comercial, neste festival, não deixando de parte estes três alicerces, vive-se um ambiente de maior “intimidade e familiaridade” devido à quantidade de caras conhecidas e à menor dimensão do mesmo. É um festival que aposta num bom ambiente onde numa hora se está numa fila de autógrafos para um autor como na outra já estamos numa alegre conversa com o mesmo numa exposição ou esplanada.
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27 February 2008
Say you want a revolution?

Quase um mês depois depois do último post e os exames já longe (prepara-se uma nova e infernal fornada), tenho que me redimir com mais textos.
Na Centralcomics, usando o Diário de Bordo, um espaço reservado para mim, abordo (e ataco?) as políticas das Edições Asa no que toca a BD.
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04 January 2008
Diário de Bordo I - FIBDA 2007, A Maioridade?
Há uns meses atrás quando vínhamos do Festival Internacional de BD da Amadora, prometi ao Hugo Jesus uma crítica ao festival para a Centralcomics.

Festival Internacional de BD da Amadora
Fim-de-semana: 27 e 28 Novembro
Na inauguração desta nova crónica, Diário de Bordo, o festival visado é o FIBDA no fim-de-semana de 27 e 28 de Novembro.
Já lá vão 4 anos de visitas ao FIBDA (se não descontar 2006 onde não tive tempo de ver o piso inferior de exposições) e, como sempre, assiste-se ao mesmo espírito de partilha de poucos por um gosto que a poucos parece atrair. Infelizmente continua-se a ver as mesmas caras neste evento com poucas caras novas a surgir mas, pelo que vi, este ano o festival teve uma maior afluência do público.
EXPOSIÇÕES
Da minha experiência das últimas 4 edições, a apresentação das exposições têm vindo a aumentar de qualidade muito significativamente.
No piso 0 ou piso superior encontravam-se logo à entrada os originais do concurso deste ano, a exposição de “Salazar, Agora na hora da sua morte”, “Os nossos lápis têm 100 anos”, exposição da Viacor, fabricante de material para desenho, patrocinador do festival, e “As 10 BDs do Século XX”, exposição de 2004 com pequenas salas, cada uma dedicada a uma BD e repleta de diversos objectos e edições dessa BD.
A exposição de “Salazar, Agora na hora da sua morte” estava muito bem conseguida ao nível de ambiente. A exposição consistia num corredor a lembrar o ambiente das páginas do livro e um qualquer corredor de espera dos tempos cinzentos de Salazar.
Além da oposição dos rascunhos de Miguel Rocha com o trabalho final do livro, na exposição existia um armário com fotos, recortes e pautas da altura, duas filas de cadeiras de aspecto antigo de costas voltadas e ainda um banco muito parecido com o que é apresentado no livro que marcou a queda do ditador.
Os visitantes podiam seguir para o piso inferior no final da visita a este piso. Este ano conseguiu-se de forma eficaz resolver o problema de fazer com que as pessoas visitassem o piso inferior. Enquanto que em 2006 o piso -1 poderia passar despercebida à grande maioria dos visitantes do festival (a entrada encontrava-se fora do recinto da exposição, no acesso ao parque de estacionamento e não existia nada a assinalar as exposições), este ano o problema foi resolvido com a inserção da entrada no corpo da exposição.
No piso -1, logo à chegada encontrava-se as muito bem conjugadas zona de convívio, zona de autógrafos e área comercial (que mais abaixo são analisadas) e o grosso das exposições.
De um modo geral a exposições estavam muito bem conseguidas.
O meu destaque este ano vai a exposição de Alain Corbel onde as pranchas estavam expostas numa sala a imitar uma praia, com o chão de areia e rochas com os livros do autor e outros objectos.
Ainda assim a exposição “O caso italiano” também, apesar de estar escondida (era para maiores de 18) e poder passar despercebida, a nível de ambiente também esteve muito bem a lembrar salas de convívio para adultos onde não faltou o varão e os sofás circulares. Só faltavam meninas de carne e osso para completar a atmosfera. Pode ser que para o ano tenham já que o festival é, agora, maior de idade.
AUTÓGRAFOS E ÁREA COMERCIAL
Este ano, na minha opinião, a conjugação da área comercial com a zona de convívio e autógrafos foi a melhor. Finalmente chegou-se à conclusão que não é possível dissociar os autores presentes das bancas. Os piores exemplos disso foram os festivais realizados na estação de metro: em 2004 a zona de autógrafos parecia ter sido improvisada na hora e numa zona longe das bancas; em 2005 a zona comercial estava escondida do resto do festival que chegou ao cúmulo de vários visitantes se queixarem de não existirem bancas.
Este ano a zona de convívio e autógrafos era um grande corredor com as bancas de cada lado, a zona de convívio entre as bancas e ao fundo a zona de autógrafos, a certas alturas demasiado pequena para tanta gente nas filas como foi o caso do Manara.
ORGANIZAÇÃO
A organização este ano apostou numa boa apresentação do festival a todos os visitantes e profissionais e não poderia ser outra coisa com 18 anos de experiência. Conseguiu-se resolver o problema do calor tropical das outras edições
No que toca a terem inserido o auditório dentro do festival para a entrega dos prémios (em 2006 era fornecido um autocarro que levava os visitantes de e para o auditório) dando a hipótese dos visitantes poderem assistir à entrega sem o incómodo de se deslocarem para o centro da Amadora, a organização esteve muito bem.
O ponto negativo vai para a má gestão das filas para o Manara. Se por um lado estava demasiada gente para os autógrafos, por outro poderiam arranjar uma solução para aqueles que não chegavam a tempo de fechar a fila. Muitos não conseguiram autógrafo nos 2 dias em que o autor esteve presente por causa do facto da fila fechar cedo demais. Valeu-me a ajuda de gente conhecida que estava na fila mas outros não tiveram a mesma sorte.
Ainda subsiste um problema que penso que muito dificilmente será resolvido e prende-se com o facto de anunciarem os convidados muito tardiamente. Autores como Francisco Caretta, Warren Craghead, Xisto Valência, Roberto Goiriz entre outros são anunciados demasiado tarde para as lojas encomendarem livros dos autores para os autógrafos. O problema agrava-se quando os autores são norte-americanos pois as encomendas da Previews (catálogo de pedidos de material bedéfilo) têm que ser feitas com cerca de 2 meses de antecedência. Este ano, e no fim-de-semana que estive presente, este problema nem se impôs muito pois os autores traziam material com eles, muitos deles para venda.
Outro ponto que tenho debatido muitas vezes é o facto dos autores “cabeças de cartaz” serem espalhados pelos fins-de-semana do festival. Este ano, e na minha opinião, os autores mais apelativos eram Milo Manara, Cameron Stewart e Lewis Trondheim que foram precisamente espalhados pelos 3 fins-de-semana que durou o festival. Isto, aliado ao anúncio tardio dos autores presentes, impossibilita os fãs que não sejam de Lisboa e arredores de estarem com os autores todos que gostariam. O problema resolvia-se com menos fins-de-semana para concentrar mais os autores mas por outro lado o número de autores presentes teria que diminuir pois uma ou duas tardes podem não ser tempo suficiente para estar com esses autores todos e esperar nas filas (muitas delas bem demoradas como as do Manara).

Festival Internacional de BD da Amadora
Fim-de-semana: 27 e 28 Novembro
Na inauguração desta nova crónica, Diário de Bordo, o festival visado é o FIBDA no fim-de-semana de 27 e 28 de Novembro.
Já lá vão 4 anos de visitas ao FIBDA (se não descontar 2006 onde não tive tempo de ver o piso inferior de exposições) e, como sempre, assiste-se ao mesmo espírito de partilha de poucos por um gosto que a poucos parece atrair. Infelizmente continua-se a ver as mesmas caras neste evento com poucas caras novas a surgir mas, pelo que vi, este ano o festival teve uma maior afluência do público.
EXPOSIÇÕES
Da minha experiência das últimas 4 edições, a apresentação das exposições têm vindo a aumentar de qualidade muito significativamente.
No piso 0 ou piso superior encontravam-se logo à entrada os originais do concurso deste ano, a exposição de “Salazar, Agora na hora da sua morte”, “Os nossos lápis têm 100 anos”, exposição da Viacor, fabricante de material para desenho, patrocinador do festival, e “As 10 BDs do Século XX”, exposição de 2004 com pequenas salas, cada uma dedicada a uma BD e repleta de diversos objectos e edições dessa BD.
A exposição de “Salazar, Agora na hora da sua morte” estava muito bem conseguida ao nível de ambiente. A exposição consistia num corredor a lembrar o ambiente das páginas do livro e um qualquer corredor de espera dos tempos cinzentos de Salazar.
Além da oposição dos rascunhos de Miguel Rocha com o trabalho final do livro, na exposição existia um armário com fotos, recortes e pautas da altura, duas filas de cadeiras de aspecto antigo de costas voltadas e ainda um banco muito parecido com o que é apresentado no livro que marcou a queda do ditador.
Os visitantes podiam seguir para o piso inferior no final da visita a este piso. Este ano conseguiu-se de forma eficaz resolver o problema de fazer com que as pessoas visitassem o piso inferior. Enquanto que em 2006 o piso -1 poderia passar despercebida à grande maioria dos visitantes do festival (a entrada encontrava-se fora do recinto da exposição, no acesso ao parque de estacionamento e não existia nada a assinalar as exposições), este ano o problema foi resolvido com a inserção da entrada no corpo da exposição.
No piso -1, logo à chegada encontrava-se as muito bem conjugadas zona de convívio, zona de autógrafos e área comercial (que mais abaixo são analisadas) e o grosso das exposições.
De um modo geral a exposições estavam muito bem conseguidas.
O meu destaque este ano vai a exposição de Alain Corbel onde as pranchas estavam expostas numa sala a imitar uma praia, com o chão de areia e rochas com os livros do autor e outros objectos.
Ainda assim a exposição “O caso italiano” também, apesar de estar escondida (era para maiores de 18) e poder passar despercebida, a nível de ambiente também esteve muito bem a lembrar salas de convívio para adultos onde não faltou o varão e os sofás circulares. Só faltavam meninas de carne e osso para completar a atmosfera. Pode ser que para o ano tenham já que o festival é, agora, maior de idade.
AUTÓGRAFOS E ÁREA COMERCIAL
Este ano, na minha opinião, a conjugação da área comercial com a zona de convívio e autógrafos foi a melhor. Finalmente chegou-se à conclusão que não é possível dissociar os autores presentes das bancas. Os piores exemplos disso foram os festivais realizados na estação de metro: em 2004 a zona de autógrafos parecia ter sido improvisada na hora e numa zona longe das bancas; em 2005 a zona comercial estava escondida do resto do festival que chegou ao cúmulo de vários visitantes se queixarem de não existirem bancas.
Este ano a zona de convívio e autógrafos era um grande corredor com as bancas de cada lado, a zona de convívio entre as bancas e ao fundo a zona de autógrafos, a certas alturas demasiado pequena para tanta gente nas filas como foi o caso do Manara.
ORGANIZAÇÃO
A organização este ano apostou numa boa apresentação do festival a todos os visitantes e profissionais e não poderia ser outra coisa com 18 anos de experiência. Conseguiu-se resolver o problema do calor tropical das outras edições
No que toca a terem inserido o auditório dentro do festival para a entrega dos prémios (em 2006 era fornecido um autocarro que levava os visitantes de e para o auditório) dando a hipótese dos visitantes poderem assistir à entrega sem o incómodo de se deslocarem para o centro da Amadora, a organização esteve muito bem.
O ponto negativo vai para a má gestão das filas para o Manara. Se por um lado estava demasiada gente para os autógrafos, por outro poderiam arranjar uma solução para aqueles que não chegavam a tempo de fechar a fila. Muitos não conseguiram autógrafo nos 2 dias em que o autor esteve presente por causa do facto da fila fechar cedo demais. Valeu-me a ajuda de gente conhecida que estava na fila mas outros não tiveram a mesma sorte.
Ainda subsiste um problema que penso que muito dificilmente será resolvido e prende-se com o facto de anunciarem os convidados muito tardiamente. Autores como Francisco Caretta, Warren Craghead, Xisto Valência, Roberto Goiriz entre outros são anunciados demasiado tarde para as lojas encomendarem livros dos autores para os autógrafos. O problema agrava-se quando os autores são norte-americanos pois as encomendas da Previews (catálogo de pedidos de material bedéfilo) têm que ser feitas com cerca de 2 meses de antecedência. Este ano, e no fim-de-semana que estive presente, este problema nem se impôs muito pois os autores traziam material com eles, muitos deles para venda.
Outro ponto que tenho debatido muitas vezes é o facto dos autores “cabeças de cartaz” serem espalhados pelos fins-de-semana do festival. Este ano, e na minha opinião, os autores mais apelativos eram Milo Manara, Cameron Stewart e Lewis Trondheim que foram precisamente espalhados pelos 3 fins-de-semana que durou o festival. Isto, aliado ao anúncio tardio dos autores presentes, impossibilita os fãs que não sejam de Lisboa e arredores de estarem com os autores todos que gostariam. O problema resolvia-se com menos fins-de-semana para concentrar mais os autores mas por outro lado o número de autores presentes teria que diminuir pois uma ou duas tardes podem não ser tempo suficiente para estar com esses autores todos e esperar nas filas (muitas delas bem demoradas como as do Manara).
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