25 May 2010

VI Festival Internacional de BD de Beja

A periodicidade deste blog vai continuar a sofrer muitos atrasos e as teias de aranha vão continuar a acumular-se. Não falta material para deixar aqui (Diários de Bordo, falar sobre projectos lançados e por lançar, reformular a cara do blog) mas a falta de oportunidade é tremenda e o facto da minha conta no Flickr estar a rebentar pelas costuras também não ajuda a falar de mais autógrafos desenhados.

Ainda para mais, em Junho/Julho irei ausentar-me do país. 3 semanas na Dinamarca com pessoal de toda a Europa num programa a 3 partes: Universidade do Minho, Universidade de Aarhus e a empresa Bang & Olufsen.


E é chegada a altura do ano onde se faz a peregrinação obrigatória a Beja. A programação continua a deixar-me de queixo no chão ano após ano.
Gostaria de ter o dom da ubiquidade pois não vou ter tempo para assistir a metade da programação. Ficam aqui os horários das minhas participações:

DIA 29 MAIO, SÁBADO
15h00
Lançamento do Splaft! n.º 6, catálogo do Festival.
Depois do texto sobre a vida e obra de Gary Erskine (A Arte Final), calhou-me falar sobre o virtuoso Niko Henrichon num texto recheado de fábulas.
DAS 16h00 ÀS 16h15
Lançamento do fanzine Venham + 5 n.º 7 (Bedeteca de Beja).
Com mais um conto do Detective Zombie, personagem que terei que voltar a falar dentro de dias (semanas), numa tentativa de homenagem/paródia ao Dark Knight Returns do Frank Miller.
DAS 17h30 ÀS 18h00
Dois dedos de conversa - Diogo Campos com Niko Henrichon.
Desejem-me sorte. Meia hora a tentar falar com um artista deste nível vai ser uma prova difícil:)

DIA 30 MAIO, DOMINGO
Das 15h45 às 16h00
Apresentação do projecto Voyager, por Diogo Campos, Diogo Carvalho e Rui Ramos, do colectivo R’lyeh Dreams.
Praticamente finalizado, o projecto não ficou pronto a tempo de ser lançado neste festival. Um ano depois voltamos para vos dar a conhecer o andamento do projecto e mostrar aquilo que será o próximo livro do colectivo.
EXPOSIÇÕES COLECTIVAS
Zona na Casa da Cultura
Com uma prancha do conto Utopia (argumento meu, desenho do Z! e cores e legendagem do Fil) publicado no Zona Fantástica.

Toupeira na Galeria do Desassossego
Com as participações que fiz com o Véte para este fanzine.

Avenida Marginal no Instituto Politécnico de Beja
Originalmente concebida para este concurso, a primeira prancha do Detective Zombie publicada no Zona Fantástica marcará presença nesta exposição.

24 February 2010

Zona Fantástica

Associando-se à edição de 2010 do Fantasporto, o "colectivo" Zona produz a sua terceira antologia. Depois de Zona Zero e Zona Negra chega o ambicioso Zona Fantástica. 80 páginas a cores, 29 contos de 34 autores, 5 dos quais do Brasil, Argentina e Espanha.

Da minha parte, colaborei com o Fil (cores), José Pinto Coelho (desenho) e Véte (arte) em 2 contos, um dos quais já conhecem (está disponível nos links à vossa direita), e sobre os quais falarei brevemente.

Para ficarem a saber os autores e obras publicados neste número, cliquem aqui.

Dia 4 de Março às 18:30 no Espaço Cidade do Cinema instalado no exterior do teatro Rivoli irão estar presentes vários autores deste número (eu incluído) que irão falar acerca dos trabalhos publicados e gatafunhar os livros que quiserem.
Para os que marcarem presença no evento, o Zona Fantástica terá um preço especial de lançamento.



Joining the 2010 edition of Fantasporto, the "collective" Zona produces their third anthology. After Zona Zero and Zona Negra comes the ambitious Zona Fantástica. 80 color pages, 29 stories from 34 authors, 5 of which from Brazil, Argentina and Spain.

As for me, I collaborated with Fil (colors), José Pinto Coelho (drawings) and Véte (art) on 2 stories, one of them you already know (it’s available in the links at your right), and on which I will talk about soon.

For those who want to know more about the authors and works published in this issue, click here.

On March 4 at 18:30 in Espaço Cidade do Cinema installed outside the Rivoli theater several authors will be present (myself included) to talk about the works published and smear all the books you want.
For those who attend the event, Zona Fantástica will have a special launch price.

06 October 2009

Hellblazer: Shoot

Argumento: Warren Ellis
Desenho: Phil Jimenez e Andy Lanning
Editora: Vertigo


Este comic que nunca viu a luz do dia está disponível para vossa leitura ilegalmente (obviamente) nos links mais abaixo. Escrito nos idos tempos em que o Warren Ellis escrevia o título Hellblazer, diz-se que este comic foi a razão do Ellis ter batido com a porta na Vertigo abandonando o título e, até hoje, sem voltar colaborar regularmente em títulos directamente ligados à editora.

Como já é hábito dos autores da british invasion, o facto de estarem alienados e poderem olhar com outros olhos para a sociedade americana permite-lhes mostrar aquilo que eles não querem ver. A razão do afastamento desta história das bancas foi o facto de ter ocorrido o massacre de Columbine antes da publicação do mesmo. Apesar da história estar pronta, a editora achou por melhor não lançá-la o que levou a sérios protestos do escritor. Resumidamente a Warner e DC acobardaram-se e acharam por bem ignorá-la. Assim, aquele que iria ser a revista Hellblazer #141 não viu a luz do dia até hoje, 10 anos volvidos.

Este embrólio todo não deixa de ser irónico pois, conforme podem ler, qual catarse do massacre, esta história funcionaria mil vezes melhor para abanar consciências (assim como o Columbine do Gus van Sant ou ainda o documenário do Michael Moore) por não ter medo de mostrar a realidade crua e dura em vez da já habitual atitude de enterrar a cabeça na areia e culpar a televisão, jogos de vídeo ou... sim, adivinharam, os "comic books" de todos os males.

O senado americano decide abrir uma investigação às causas dos recentes tiroteios e massacres em escolas entre alunos. A psicóloga responsável pela investigação aproveita para escrever uma tese acerca da patologia de massacres premeditados e a psicologia das vítimas. Obcecada com o caso, ela inclusive adormece todos os dias a ouvir a gravação do suicídio em massa de Jonestown e assiste repetidamente às gravações dos tiroteios. Mas é nesses vídeos que ela repara que existe algo comum a alguns recentes vídeos: um homem inglês de meia idade de gabardine.

Sim, é o nosso conhecido e velho amigo John Constantine que deu um salto ao outro lado do Atlântico a pedido de um amigo para descobrir o que aconteceu ao filho que foi morto num massacre idêntico no Louisiana. Convido-vos a ler e reflectir neste que é um dos melhores contos do personagem que li até hoje (não foram tantos quanto isso hehe).

Este conto pode ser lido aqui ou aqui mas atenção, despachem-se porque mais cedo ou mais tarde a DC irá descobrir estes sites e exigir a eliminação dos ficheiros, ainda para mais que o Warren Ellis no seu site/blog voltou a acordar as hostes para esta história.

03 October 2009

Sketch Amealhado #9

FILIPE ANDRADE



O primeiro sketch do FIBDA 2007, da autoria do Filipe Andrade. Ainda na altura que o BDjornal saía regularmente, BRK fez grande furor no mundo bedéfilo pelo facto de uma dupla desconhecida até então ter feito um projecto tão arrojado e mediático.
Filipe Pina e Filipe Andrade, a conhecida dupla da série BRK, também têm um conto no Venham+5 #5 e preparam um livro infantil.

Tendo feito este desenho a lápis no FIBDA, decidi que o desenho ficaria melhor finalizado a tinta e portanto esperei pela próxima vez que encontrasse esta dupla. No IV Festival de Beja em 2008, aproveitei para lhes pedir que me "finalizassem" o desenho. Pior a emenda do que o soneto, todos concordamos que devia ter deixado o desenho como estava e agora espero pela próxima oportunidade para conseguir um novo desenho.

19 September 2009

Sketch amealhado #8

PEDRO PIRES



Mais um excelente autor português. Apesar de passar despercebido publicou uma BD de grande sucesso pela Devir, Anjos e Outras Armadilhas que hoje se encontra esgotadíssimo além de dois contos para a Colecção Quadradinho.

Facto curioso sobre este autor é que ele é daltónico. Mas este problema em nada diminui o seu talento já que lhe permite, e isso é muito evidente nas suas obras a cores, usar uma palete fora do normal.

Este desenho foi feito na festa de Halloween de 2006 da loja Centralcomics. Na altura o autor não tinha canetas com ele tendo feito este desenho com a única caneta que eu tinha, uma Rotring a tinta-da-china com um bico de 0.5 mm! Verdadeira paciência de chinês e grande dedicação que o autor teve neste espectacular desenho utilizando uma caneta tão fina.

12 September 2009

Sketch amealhado #7

DERRADÉ





Outro autor que abrandou muito significativamente a sua produção de BD é o Derradé. Outrora um grande nome do humor português, chegou a lançar uma revista humorística HL Comix que infelizmente teve pouca duração. A maioria das histórias que iria formar o 3º número da revista estão no hilariante Moda Foca. Da sua autoria ainda se encontram Fúria e Fava! além de Pai Natal: Um Estudo Morfológico (este em colaboração com Geral), todos lançados pela Polvo.

Este desenho dos The BadSummerBoys Band foi feito durante a entrega dos prémios Amadora 2006, a mais curta visita que alguma fiz ao festival. Estando a entrega programada para um local longe do Forúm Camões, a organização forneceu autocarro a quem quisesse ir. Tendo o Derradé ficado para trás, pedi-lhe então para me assinar algumas obras onde ele tinha participado além de um desenho no meu bloco enquanto eu, o Diogo Valadas e o Hugo Jesus fomos à entrega.

Para aqueles que estiveram presentes e se recordam, os autores João Mascarenhas e José Abrantes tiveram uma forte claque no fundo da sala. Eramos nós que sempre que ouvíamos o nome dos autores fazíamos uma algazarra como se fosse a final de algum mundial de futebol. De momento não me lembro dos resultados mas tenho ideia de que o Mascarenhas ganhou o trofeú para melhor fanzine com o segundo número do Menino Triste.

05 September 2009

Sketch Amealhado #6

FILIPE ABRANCHES




Filipe Abranches, profícuo autor de BD e ilustrador, é responsável por diversas ilustrações e capas de livros de varíadissimas editoras. É também autor de, por exemplo, Alô?, 16-1 e Solo, todos editados pela Polvo. Se não estou em erro, está também ligado único curso superior de banda desenhada do país no pólo de Guimarães da Escola Superior de Artes do Porto.

Este desenho de um mouro feito integralmente a caneta foi realizado nas poucas horas que estive presente na edição de 2006 dos festival da Amadora onde nem tempo tive para ver o piso inferior de exposições.

Facto curioso, comecei recentemente a ler a edição da Clássica Editora do livro O Império do Medo da autoria de Brian Stableford (recentemente reeditado pela Saída de Emergência) e constatei quase por acaso que a capa reproduzida ao lado vem creditada como sendo da autoria deste autor.

03 September 2009

Pax Romana

Argumento, Desenho, Cor:
Jonathan Hickman
Editora: Image Comics


2053 d.C., o Islão é a religião predominante na Europa ocidental.
O Vaticano financiou secretamente durante décadas certas instituições, laboratórios e cientistas para poderem deter e manter secretos certos avanços científicos. O mais recente avanço tecnológico? Viagens no tempo de grandes massas, em completa segurança mas sem hipótese de retorno.
Uma tecnologia potencialmente perigosa e muito apetecível torna-se assim uma arma nas mãos do Vaticano que pretende usá-la para moldar e, nas palavras deles, salvar o futuro da Humanidade, destruindo o passado.

Esta é uma premissa que já vimos e lemos em inúmeras histórias sobre viagens no tempo e possíveis alterações do curso da História com determinados objectivos que acabam bem ou mal. Apesar de batido e de acharem que já se experimentou tudo o que havia para ser lido e visto, a verdade é que muito dificilmente se encontra algo ao nível de Pax Romana.

É ponto assente pelo Papa Pio XIII que jamais se intervirá na vida de Cristo. Como o próprio diz, a ideia não é tornarem-se colaboradores de Cristo ou criar um paraíso artificial na Terra mas sim consolidar o poder da Igreja depois da ressurreição e antes da criação do islamismo.

5000 homens, armas nucleares, 4100 toneladas de ouro e a mais recente tecnologia militar comandada pelos cardeal Beppi Pele e o general Nicholas Chase, a maior mente militar do seu tempo, são enviados para 312 d.C. para ajudarem o imperador Constantino a consolidar o poder. Mas o que seria uma missão de fortificar a sua relação entre o império romano e a igreja aumentando o poder desta no futuro, o que acontece é uma tentativa de provocar uma revolução civilizacional que só aconteceria 1300 anos mais tarde de uma forma extremamente condensada e bem planeada. Uma experiência social que o intitulado Exército Eterno de Roma tenta produzir durante algumas gerações na tentativa de criar a melhor sociedade possível, tudo graças à esperança média de vida destes homens que ronda os 200 anos, fruto do futuro de onde vêem.

Acontece que, por mais bem preparados que estes homens estejam, por mais avançados que sejam e mesmo sendo a personificação do pináculo evolutivo até então, não deixam de ser humanos. Intrigas, discórdias e sede de poder assolam estes homens que com pequenos grandes actos vão mudar a História da humanidade de uma forma que jamais previram e que vos convido a descobrir neste livro.

No final do livro é possível ver um cronograma, o único extra, com os principais acontecimentos do mundo a partir do final dos acontecimentos desta história. O próprio Jonathan Hickman diz que, apesar de ser uma história com um final (se bem que aberto), irá continuar a contar a história desta linha temporal alternativa estando previsto para daqui a uns tempos a continuação 150 anos depois dos acontecimentos do actual livro.

Jonathan Hickman é um designer profissional que de um momento para o outro deu o salto para os comics. Começou na Image com certas mini-séries sempre ligadas a ficção-científica que em maior ou menor grau mostram um futuro perto com temáticas bem actuais como o jornalismo e o seu papel na política (Nightly News) ou engenharia genética ao alcance de todos (Transhuman).

A sua formação de designer permite-lhe um estilo de desenho (chamemos-lhe assim), completamente fora do habitual. Pintura, colagem e desenho digital misturam-se numa amálgama de cores simples ajudando ao estilo de escrita e ambiente diferentes do habitual. O layout das vinhetas e diálogos também é de uma simplicidade que nos chega a fazer pensar "como é que nunca me lembre de fazer isto?" e que tenho que concordar com a autora da introdução que será muito brevemente copiado num estilo que terá o nome do autor.

Com uma sensibilidade muito diferente da habitual no que toca à ficção científica, Hickman, que criou este livro todo de raiz (desenho, cores, legendagem, paginação, design), é um dos novos valores dos comics americanos, uma aposta segura que aconselho a manterem debaixo de olho.
Muito recentemente deu o salto para a Marvel sendo um dos escritores destacados no selo The Write Stuff onde a editora mostra as mais recentes apostas em termos de argumentistas. Actualmente está a escrever Secret Warriors em colaboração com Brian Michael Bendis além de ser o novo argumentista apontado para substituir Mark Millar aos comandos da revista Fantastic Four. Claramente uma estrela a subir a uma velocidade vertiginosa.

Para lerem gratuitamente o primeiro número desta mini-série de 4, cliquem aqui.