03 October 2009

Sketch Amealhado #9

FILIPE ANDRADE



O primeiro sketch do FIBDA 2007, da autoria do Filipe Andrade. Ainda na altura que o BDjornal saía regularmente, BRK fez grande furor no mundo bedéfilo pelo facto de uma dupla desconhecida até então ter feito um projecto tão arrojado e mediático.
Filipe Pina e Filipe Andrade, a conhecida dupla da série BRK, também têm um conto no Venham+5 #5 e preparam um livro infantil.

Tendo feito este desenho a lápis no FIBDA, decidi que o desenho ficaria melhor finalizado a tinta e portanto esperei pela próxima vez que encontrasse esta dupla. No IV Festival de Beja em 2008, aproveitei para lhes pedir que me "finalizassem" o desenho. Pior a emenda do que o soneto, todos concordamos que devia ter deixado o desenho como estava e agora espero pela próxima oportunidade para conseguir um novo desenho.

19 September 2009

Sketch amealhado #8

PEDRO PIRES



Mais um excelente autor português. Apesar de passar despercebido publicou uma BD de grande sucesso pela Devir, Anjos e Outras Armadilhas que hoje se encontra esgotadíssimo além de dois contos para a Colecção Quadradinho.

Facto curioso sobre este autor é que ele é daltónico. Mas este problema em nada diminui o seu talento já que lhe permite, e isso é muito evidente nas suas obras a cores, usar uma palete fora do normal.

Este desenho foi feito na festa de Halloween de 2006 da loja Centralcomics. Na altura o autor não tinha canetas com ele tendo feito este desenho com a única caneta que eu tinha, uma Rotring a tinta-da-china com um bico de 0.5 mm! Verdadeira paciência de chinês e grande dedicação que o autor teve neste espectacular desenho utilizando uma caneta tão fina.

12 September 2009

Sketch amealhado #7

DERRADÉ





Outro autor que abrandou muito significativamente a sua produção de BD é o Derradé. Outrora um grande nome do humor português, chegou a lançar uma revista humorística HL Comix que infelizmente teve pouca duração. A maioria das histórias que iria formar o 3º número da revista estão no hilariante Moda Foca. Da sua autoria ainda se encontram Fúria e Fava! além de Pai Natal: Um Estudo Morfológico (este em colaboração com Geral), todos lançados pela Polvo.

Este desenho dos The BadSummerBoys Band foi feito durante a entrega dos prémios Amadora 2006, a mais curta visita que alguma fiz ao festival. Estando a entrega programada para um local longe do Forúm Camões, a organização forneceu autocarro a quem quisesse ir. Tendo o Derradé ficado para trás, pedi-lhe então para me assinar algumas obras onde ele tinha participado além de um desenho no meu bloco enquanto eu, o Diogo Valadas e o Hugo Jesus fomos à entrega.

Para aqueles que estiveram presentes e se recordam, os autores João Mascarenhas e José Abrantes tiveram uma forte claque no fundo da sala. Eramos nós que sempre que ouvíamos o nome dos autores fazíamos uma algazarra como se fosse a final de algum mundial de futebol. De momento não me lembro dos resultados mas tenho ideia de que o Mascarenhas ganhou o trofeú para melhor fanzine com o segundo número do Menino Triste.

05 September 2009

Sketch Amealhado #6

FILIPE ABRANCHES




Filipe Abranches, profícuo autor de BD e ilustrador, é responsável por diversas ilustrações e capas de livros de varíadissimas editoras. É também autor de, por exemplo, Alô?, 16-1 e Solo, todos editados pela Polvo. Se não estou em erro, está também ligado único curso superior de banda desenhada do país no pólo de Guimarães da Escola Superior de Artes do Porto.

Este desenho de um mouro feito integralmente a caneta foi realizado nas poucas horas que estive presente na edição de 2006 dos festival da Amadora onde nem tempo tive para ver o piso inferior de exposições.

Facto curioso, comecei recentemente a ler a edição da Clássica Editora do livro O Império do Medo da autoria de Brian Stableford (recentemente reeditado pela Saída de Emergência) e constatei quase por acaso que a capa reproduzida ao lado vem creditada como sendo da autoria deste autor.

03 September 2009

Pax Romana

Argumento, Desenho, Cor:
Jonathan Hickman
Editora: Image Comics


2053 d.C., o Islão é a religião predominante na Europa ocidental.
O Vaticano financiou secretamente durante décadas certas instituições, laboratórios e cientistas para poderem deter e manter secretos certos avanços científicos. O mais recente avanço tecnológico? Viagens no tempo de grandes massas, em completa segurança mas sem hipótese de retorno.
Uma tecnologia potencialmente perigosa e muito apetecível torna-se assim uma arma nas mãos do Vaticano que pretende usá-la para moldar e, nas palavras deles, salvar o futuro da Humanidade, destruindo o passado.

Esta é uma premissa que já vimos e lemos em inúmeras histórias sobre viagens no tempo e possíveis alterações do curso da História com determinados objectivos que acabam bem ou mal. Apesar de batido e de acharem que já se experimentou tudo o que havia para ser lido e visto, a verdade é que muito dificilmente se encontra algo ao nível de Pax Romana.

É ponto assente pelo Papa Pio XIII que jamais se intervirá na vida de Cristo. Como o próprio diz, a ideia não é tornarem-se colaboradores de Cristo ou criar um paraíso artificial na Terra mas sim consolidar o poder da Igreja depois da ressurreição e antes da criação do islamismo.

5000 homens, armas nucleares, 4100 toneladas de ouro e a mais recente tecnologia militar comandada pelos cardeal Beppi Pele e o general Nicholas Chase, a maior mente militar do seu tempo, são enviados para 312 d.C. para ajudarem o imperador Constantino a consolidar o poder. Mas o que seria uma missão de fortificar a sua relação entre o império romano e a igreja aumentando o poder desta no futuro, o que acontece é uma tentativa de provocar uma revolução civilizacional que só aconteceria 1300 anos mais tarde de uma forma extremamente condensada e bem planeada. Uma experiência social que o intitulado Exército Eterno de Roma tenta produzir durante algumas gerações na tentativa de criar a melhor sociedade possível, tudo graças à esperança média de vida destes homens que ronda os 200 anos, fruto do futuro de onde vêem.

Acontece que, por mais bem preparados que estes homens estejam, por mais avançados que sejam e mesmo sendo a personificação do pináculo evolutivo até então, não deixam de ser humanos. Intrigas, discórdias e sede de poder assolam estes homens que com pequenos grandes actos vão mudar a História da humanidade de uma forma que jamais previram e que vos convido a descobrir neste livro.

No final do livro é possível ver um cronograma, o único extra, com os principais acontecimentos do mundo a partir do final dos acontecimentos desta história. O próprio Jonathan Hickman diz que, apesar de ser uma história com um final (se bem que aberto), irá continuar a contar a história desta linha temporal alternativa estando previsto para daqui a uns tempos a continuação 150 anos depois dos acontecimentos do actual livro.

Jonathan Hickman é um designer profissional que de um momento para o outro deu o salto para os comics. Começou na Image com certas mini-séries sempre ligadas a ficção-científica que em maior ou menor grau mostram um futuro perto com temáticas bem actuais como o jornalismo e o seu papel na política (Nightly News) ou engenharia genética ao alcance de todos (Transhuman).

A sua formação de designer permite-lhe um estilo de desenho (chamemos-lhe assim), completamente fora do habitual. Pintura, colagem e desenho digital misturam-se numa amálgama de cores simples ajudando ao estilo de escrita e ambiente diferentes do habitual. O layout das vinhetas e diálogos também é de uma simplicidade que nos chega a fazer pensar "como é que nunca me lembre de fazer isto?" e que tenho que concordar com a autora da introdução que será muito brevemente copiado num estilo que terá o nome do autor.

Com uma sensibilidade muito diferente da habitual no que toca à ficção científica, Hickman, que criou este livro todo de raiz (desenho, cores, legendagem, paginação, design), é um dos novos valores dos comics americanos, uma aposta segura que aconselho a manterem debaixo de olho.
Muito recentemente deu o salto para a Marvel sendo um dos escritores destacados no selo The Write Stuff onde a editora mostra as mais recentes apostas em termos de argumentistas. Actualmente está a escrever Secret Warriors em colaboração com Brian Michael Bendis além de ser o novo argumentista apontado para substituir Mark Millar aos comandos da revista Fantastic Four. Claramente uma estrela a subir a uma velocidade vertiginosa.

Para lerem gratuitamente o primeiro número desta mini-série de 4, cliquem aqui.

29 August 2009

Sketch Amealhado #5

SÉRGEI




Mais um autor português, desta vez o visado é Sérgei. Desaparecido do mapa bedéfilo nacional, este autor já publicou na antologia Onze Autores no BDjornal 2005-2006 além do premiado livro Os Compadres seguido da sequela Flop Tecnológico, ambos lançados pela também desaparecida Polvo.

Não faço ideia do que lhe tenha acontecido pois procurei e o site oficial Sergei Cartoons encontra-se indisponível.

Realizado na edição de 2006 do festival da Amadora, este é o primeiro da curta série de desenhos desse festival onde também pedi uma rápida dedicatória nas BDs que o autor realizou para a tal antologia editada pela pedranocharco. Sendo um trabalho antigo do autor, este ficou encantado por vê-lo como já é habitual quando se levam coisas raras/antigas para os autores assinarem.

22 August 2009

Sketch amealhado #4

JOÃO MASCARENHAS


O maior autor de BD em Portugal. Não a sério, ele é literalmente o maior!
João Mascarenhas, engenheiro de profissão e autor por paixão é o criador da multi-premiada personagem Menino Triste.
Conhecemo-nos numa antiga encarnação da Centralcomics. Como vinha muitas vezes a Braga por razões profissionais, tive que lhe indicar a 100ª Página, única livraria com uma respeitável secção de BD por cá e que já acolheu um evento organizado pelo João e pelo Gastão Travado.
Saudades desses almoços, mini-mini-tertúlias de BD em Braga onde este desenho foi feito totalmente a caneta mostrando o domínio e versatibilidade que o João tem para o desenho.

15 August 2009

Sketch amealhado #3

CAMERON STEWART


Eis que chegamos ao primeiro autor estrangeiro desta rubrica. Famossíssimo pelas colaborações com Grant Morrison em Seaguy e Seaguy: Slaves of Mickey Eye entre outros títulos, Cameron Stewart é mais um dos muitos escravos desenhadores da indústria norte-americana tendo começado, como muitos, pelos títulos infantis da DC Comics, mais propriamente Scooby-Doo. Felizmente o talento foi salvo a tempo pelo conhecido feiticeiro de magia do caos.

Novamente no Festival Internacional da Amadora 2005, deixei este autor para a última hora. Ao entrar na fila reparei que o autor não estava presente apesar de estar previsto no programa. Tinha-se sentido mal e foi ao exterior apanhar ar. Aparentemente tinha desmaiado ou quase, não me recordo bem, mas voltou fresco como uma alface para mais uma literal fornada de desenhos. Não sei se se lembram mas na altura a organização foi bastante criticada pelo local escolhido que não tinha ventilação adequada (suspeito que não tinha nenhuma) e tiveram que usar botijas de oxigénio para compensar a falta de renovação do ar.

Como é hábito antes dos festivais, fiz uma pesquisa acerca do autor e encontrei uma série de desenhos de vários autores inspirados no filme Kill Bill. Entre eles estava o do Cameron e, como podem ver, pedi-lhe para ele desenhar a Noiva, Uma Thurman. Acontece que ele não se lembrava da cara dela e durante um bocado viu-se às aranhas para a desenhar até que me lembrei que tinha uma imagem do filme no meu telemóvel.

Nada feito! Na imagem, a Noiva tem a espada a esconder-lhe a boca mas ele lá improvisou caprichando nos excelentes salpicos de sangue. Tanto se dedicou a isso que, como podem ver com atenção, se esqueceu do punho e da ponta da espada despachando-os. Isto tudo enquanto que o Ed Brubaker se lembrou de discutir os filmes do Tarantino com o Cameron. Ora, como eu disse atrás, deixei o Cameron para o final... Imaginem eu preocupado com horários de comboio e metro, o desenhador a caprichar em salpicos de sangue enquanto discutia para o lado a obra cinematográfica do Tarantino. Espero que o Cameron me perdoe por ter saído a correr e quase sem agradecer :D
Ainda assim está um excelente trabalho que me orgulho de ter.


PS-Acabei por ter que esperar pelo comboio.