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26 July 2009

Remodelação e recomendação

Bons olhos vos vejam neste espaço esquecido. Quando lerem isto já estarei na romaria habitual para terras do sul e, portanto, deixo-vos com algumas remodelações na casa que bem precisa.

A Centralcomics recentemente mudou por completo o portal e, portanto, perderam-se textos e entrevistas que na altura se fizeram.

Para já estão recuperados os seguintes textos:
Entrevista com David Soares
Diário de Bordo I - FIBDA 2007, A Maioridade?
Diário de Bordo III - IV FIBDB
Diário de Bordo IV - Viñetas desde o Atlántico, um festival de lições
Diário de Bordo V - FIBDA 2008

À semelhança do Notas Bedéfilas, também irei programar uma série de posts automáticos para se entreterem com 2 novas rubricas (uma delas só a conhecerão quando a outra acabar).


E puxando ainda mais a brasa à minha sardinha, recomendo a compra do 6º volume da série Venham+5, um laboratório de autores, estilos e pequenas histórias onde o vosso anfitrião tem o conto de 4 páginas, Uma Última Contenda, com o desenhador Véte. Não saiu exactamente como planeado mas espero que entendam e gostem.
Dos outros contos não posso opinar porque vim de Beja sem nenhum exemplar para mim. Ofereci uma cópia à Sierra (deixa cá ver se ela se lembra de mim no futuro) Hahn e outra ao Gary Erskine para agradecer os 2 posters que ele me deu no final do festival (oh yeah, poster dos Tranformers e Dan Dare à borlucha) e não tive oportunidade (nem coragem) de pedir mais cópias ao Paulo Monteiro.

Não partam nada enquanto estou fora!

23 May 2009

V FIBDB


O Notas Bedéfilas já se adiantou. É verdade, o programa do festival já está disponível para consulta (cliquem aqui) e digo-vos... que programa!
Conversas com todos os autores internacionais, autógrafos (não muito tempo por isso, contenham-se!*) e uma excelente ideia de um workshop dado por Erskine para melhoria de um portfólio.

Da minha parte estarei presente para apresentar:

Voyager onde o oitavo episódio desenhado pelo Rui Ramos estará disponível na exposição na Biblioteca Municipal;

Venham+5 #6 será apresentado logo após à abertura do festival e estará à venda no Mercado do Livro de BD. Neste número da conhecida antologia está incluído o conto Uma Última Contenda, escrito por mim e desenhado por Véte;

Splaft! Catálogo do Festival Internacional de BD de Beja onde o texto A Arte Final - Gary Erskine da minha autoria sobre a vida e obra deste autor estará à vossa mercê (espero poder disponibilizá-lo aqui mais tarde).

Estarei presente de Sexta até Domingo por isso espero encontrar-vos por lá;)


Edit: E depois de um grande impasse, a cerimónia de entrega dos Trofeús Centralcomics já está marcada. Realizar-se-á no último fim-de-semana do festival, no dia 13 de Junho e onde os Murmúrios das Profundezas estão nomeados para Melhor Fanzine e Melhor Projecto de BD.


* - olha quem fala! Levou toda as obras que tinha do McKean e ainda avisa os outros para se conterem :P

16 May 2009

The Penny Dreadful #2 + CC Cadavre Exquis


Venho interromper esta pequena grande pausa no blog para vos dar conta de algumas novidades e como compensação pela paciência, sempre têm mais umas BDs para ler.

Utopia é um conto de 4 páginas criado para o FIBDA 2008 com argumento meu e desenho do José Pinto Coelho aka Burnay. Aproveitamos este material já pronto para participar na revista online (webzine? webmagazine?) The Penny Dreadful.

The Penny Dreadful trata-se de uma revista aberta a qualquer um que queria participar com artigos, poemas, BD, contos, etc. Normalmente restringida aos membros da Whitechapel, o fórum de Warren Ellis, qualquer um pode participar como e quando quiser desde que contacte Rick Evans, o mentor do projecto e autor da The Canadian Legion publicada pela editora Arcana Studios. Isso ou consultar o tópico correspondente aqui: The Penny Dreadful Needs Contributors!

Enquanto este conto não encontra uma casa definida (i.e., uma publicação física), fica aqui para lerem no 2º número de The Penny Dreadful. Para acederem, não vos custa mais do que registar e inserir nome, e-mail e idade.

Desculpem algumas coisas mázitas na legendagem mas apesar de ter uma versão melhor, a primeira legendagem foi a que seguiu para a revista.


* * *


E o Cadavre Exquis da Centralcomics está finalmente de volta!


A nossa página já está pronta há cerca de meio ano mas só agora é que o Daniel Maia deu sinais de vida (it's ALIVE!!). A legendagem foi feita por ele porque eu na altura não tinha o programa de legendagem a funcionar correctamente.

Apesar da mudança radical na história, as pranchas mais recentes parecem estar a acompanhar bem as transformações da história.

Brevemente novidades em relação ao Festival de BD de Beja deste ano.

20 March 2009

Interviewing Paul Duffield

The majority of you probably don’t recognize the name but you should. Mangaka with some published works, about an year ago he was shoot into fame when he was chosen to illustrate Freakangels, a webcomic created by the legendary Warren Ellis.

A grande maioria não deve reconhecer o nome mas devia. Mangaka com alguns trabalhos profissionais publicados, há certa de um ano atrás foi catapultado para o estrelado quando foi escolhido para ilustrar Freakangels, um webcomic criado pelo lendário Warren Ellis.

Freakangels is a 6 pages free weekly webcomic that has been published in TPB by Avatar and has a legion of thousands of fans worldwide. The 2nd volume is about to be published and Centralcomics couldn’t miss the opportunity to know the path of this rising star and ask his opinion about the controversial issue: comics vs. webcomics.

Freakangels é um webcomic semanal de 6 páginas gratuito que tem sido publicado em trade pela Avatar e que conta uma legião de milhares de fãs em todo o mundo. O 2º volume está prestes a ser publicado e a Centralcomics não podia perder a oportunidade de conhecer melhor o percurso desta estrela em ascensão e pedir a sua opinião acerca do polémico tema comics vs. webcomics.

Diogo Campos: For those who don't know Freakangels (and should be reading it because it's very good and FREE!), can you describe it in few words?
Paul Duffield:
Freakangels is a sort of steampunk sci-fi comic set in a post-crash, half drowned London. The central characters are the Freakangels clan,
a group of people who were all born at exactly the same moment, 23
years ago, with strange powers. They work to keep their part of London
functioning in a world where technology must be reinvented, and
survival is no longer a given.

Diogo Campos: Para aquele que não conhecem Freakangels (e que deviam ler porque é muito bom e GRÁTIS!), podes-nos descrevê-lo em poucas palavras?
PD:
Freakangels é uma espécie de BD de ficção científica steampunk passada numa
Londres meia afogada. Os personagens principais são o clã Freakangels, um grupo de pessoas que nasceram exactamente ao mesmo tempo, 23 anos atrás, com estranhos poderes. Eles trabalham para manter a sua parte de Londres a funcionar num mundo onde a tecnologia teve que ser reinventada e a sobrevivência não é um dado adquirido.




DC: How you and Warren did came upon with that kind of layout? It seems to be challenge telling a story always in the same format, the 4 panel page.
PD:
The panel layout was decided upon by Warren, since it was much easier to digest on a screen. It's actually easier for me, since I can treat each panel like a frame from a storyboard, and really put a lot of effort into each illustration without worrying about designing a complex layout as well.

DC: Como é que tu e o Warren chegaram àquele tipo de layout? Parece ser um desafio contar uma história sempre no mesmo formato, uma prancha de 4 vinhetas.
PD: O layout foi decidido pelo Warren já que era muito mais fácil de ‘digerir’ no monitor. Na verdade é mais fácil para mim, já que posso tratar cada vinheta como um frame de um storyboard, e dedicar-me realmente a cada ilustração sem me preocupar em planear um layout complexo.



DC: Since you're on the front line of webcomics with the wide known Freakangels, how do you see the future of comics in general?
PD:
I'm not sure at the moment. Webcomics aren't at the stage where they can easily replace print comics, and won't be for a long time in my opinion. At the same time, I think print comics have been stagnating in quality for a long time, and really need a big push to help them realise their potential and gain a wider audience with a wider range of genres. I know for sure that creators and publishers need to be trying as hard as possible to innovate, and not just settling for pleasing existing fans.

DC: Como estás na linha da frente dos webcomics com o bastante conhecido Freakangels, como é que vês o futuro dos comics em geral?
PD:
De momento não tenho a certeza. Webcomics não estão numa fase onde possam facilmente substituir os comics impressos, e não estarão por muito tempo na minha opinião. Ao mesmo tempo, penso que os comics impressos têm vindo a estagnar em termos de qualidade há já algum tempo, e realmente precisam de um empurrão que os ajude a perceberem o seu potencial e ganhar uma mais vasta audiência com uma ampla gama de géneros. Sei com toda a certeza que os criadores e editores precisam de tentar inovar o mais possível e não se contentarem simplesmente em agradar os fãs existentes.



DC: What comics do you usually read?
PD:
I'm mostly a mangá fan actually! I like to find non-mainstream mangá to read at the moment, and I'm really getting into western comics properly for the first time.

DC: Que BDs é que costumas ler?
PD:
Na verdade sou um fã de mangá! De momento, gosto de descobrir mangá fora do mainstream para ler e estou a entrar na banda desenhada ocidental propriamente pela primeira vez.



DC: Do you have any authors and/or titles you prefer?
PD:
My favourite authors at the moment are Jiro Taniguchi, Taiyo Matsumoto, Erica Sakurazawa, Miou Takaya & Osamu Tezuka. I also really like Craig Thompson, and I'm looking forward to Habibi.

DC: Tens alguns autores e/ou títulos que prefiras?
PD:
Os meus autores favoritos de momento são Jiro Taniguchi, Taiyo Matsumoto, Erica Sakurazawa, Miou Takaya & Osamu Tezuka. Também gosto muito de Craig Thompson e estou ansioso pelo Habibi.



DC: How was your first experience with comics? When you were younger, did you usually read comics?
PD:
I've read comics for most of my life, but I didn't really get into them in a big way until I discovered mangá as a young teenager. The mangá I read then were the first mature and complex storylines that I'd encountered in comics, and they really blew me away. From then on what was just a casual interest became an obsession.

DC: Como é que foi a tua primeira experiência com banda desenhada? Quando eras mais novos, costumavas ler BD?
PD:
Eu li BD durante a maior parte da minha vida mas nunca me dediquei até ter descoberto mangá quando era um adolescente. As mangás que lia na altura foram as primeiras histórias maduras e complexas que encontrei na BD e fiquei estupefacto com elas. A partir daí, o que era apenas um interesse casual tornou-se uma obsessão.



DC: So, your main (and only?) source is mangá? That's interesting because you have this style on Freakangels that, I think, it combines mangá with comics and European comics/franco-belgian. How do you define your work, especially on Freakangels?
PD:
Well, it turns out that after I'd really got into mangá, I'd read the small selection of very well-known titles that were on the shelves at the time, and I started looking for more obscure mangá artists. It just happened that most of the obscurer artists I encountered such as Taiyo Matsumoto, Jiro Taniguchi and Koji Morimoto were highly influenced by French and European comics themselves, and that's really where my current style originates from. With Freakangels I also consciously went with something a little more European than my previous work, since that euro-mangá look was exactly what Warren was going for.

DC: Então, a tua principal (e única?) fonte é mangá? Isso é interessante porque tens um estilo no Freakangels que, penso eu, combina mangá com comics e BD europeia/franco-belga. Como é que defines o teu trabalho, especialmente no Freakangels?
PD:
Bem, acontece que depois de ter entrado realmente na mangá, eu tinha lido uma pequena selecção de títulos muito conhecidos que estavam nas estantes na altura, e comecei a procurar por autores de mangá mais obscuros. Aconteceu que a maioria dos artistas que encontrei como Taiyo Matsumoto, Jiro Taniguchi e Koji Morimoto foram eles próprios altamente influenciados pela BD francesa e europeia e é daí que o meu actual estilo é originário. Com Freakangels eu também fui conscientemente para algo um pouco mais europeu que os meus trabalhos anteriores já que um look euro-mangá era exactamente o que o Warren queria.



DC: How and when did you decide you wanted to do comics for a living?
PD:
I think it's been something I've wanted to do for a long, long time. I've been drawing since I could first hold a pencil, and drawing comics since I first knew what they were, so it was just a natural progression. The only other artform that I'm equally attracted by is animation, which I studied at University.

DC: Como e quando é que decidiste que querias viver a fazer BD?
PD:
Penso que tem sido algo que eu queria fazer há muito, muito tempo. Eu desenho desde que consegui segurar um lápis, e desenho BD desde a primeira vez que descobri o que era, por isso foi apenas uma progressão natural. A única outra forma de arte que eu estou igualmente atraído é animação que estudei na Universidade.



DC: Do you have any advice to young creators who want to create their own projects?
PD:
Yes, definitely and it's quite simple really. Start small! A lot of beginners start with a huge idea or an epic storyline that they want to create, but more often than not it never gets finished. The best thing to do is to keep your massive ideas in note form, and practice on self-contained short stories, between maybe 5 and 10 pages. There are three advantages to this:
Firstly, it's great practice, and learning to keep your storytelling concise and clear (which it needs to be to tell a successful short story) is a very useful skill that will help you later in long-form storytelling.
Secondly, it's very uplifting to actually finish something, and it's a great sense of achievement that will help you keep your enthusiasm.
Thirdly, the first place most people get published is in anthologies of short stories, and having completed projects means you have something to give to publishers, and something that will fit easily in your portfolio for people to read and see your skills.

DC: Tens algum conselho para jovens criadores que queiram criar os seus próprios projectos?
PD:
Sim, definitivamente, e é bastante simples na verdade. Comecem pequeno! Muitos dos iniciantes começam com uma ideia enorme ou uma narrativa épica que querem criar mas é mais frequente que nunca a terminem. A melhor coisa a fazer é manterem as vossas ideias maciças em forma de notas e praticarem histórias curtas auto-conclusivas, entre talvez 5 e 10 páginas. Existem três grandes vantagens nisto:
Primeiro, é um bom treino, e aprender a manter as vossas histórias concisas e claras (que são necessárias para contar uma história curta com sucesso) é uma destreza muito útil que vos vai ajudar mais tarde em narrativas mais longas.
Em segundo lugar, é muito gratificante acabar realmente alguma coisa, e é uma grande sensação de realização que vos vai ajudar a manter o entusiasmo.
Terceiro, o primeiro sítio onde a maioria das pessoas é publicada é em antologias de histórias curtas, e tendo completado vários projectos significa que têm algo para dar às editoras, e é algo que cabe facilmente no vosso portfolio para as pessoas lerem e verem o vosso talento.



DC: Basically, what you recommend is the way you used. How was it like to be an unknown artist and then "bang!", working on a groundbreaking project with the legendary Warren Ellis?
PD:
I had done a few projects before Freakangels that were quite well distributed in the UK (including my first full book, which was mangá adaptation of Shakespeare's The Tempest). That being said, it was really something to suddenly be exposed to the international comics scene working on a project with such a well known writer! I'm still pretty shocked that I managed to get the job at all, and the exposure it's given me has been fantastic. Even more than a year into the project, I don't think it's completely sunk in!

DC: Basicamente, o que recomendas é o caminho que usaste. Como é que foi seres um autor desconhecido e de repente “bang!”, a trabalhar num projecto pioneiro com o lendário Warren Ellis?
PD:
Eu fiz uma série de projectos antes de Freakangels que foram bem distribuídos no Reino Unido (incluindo o meu primeiro livro que foi uma adaptação para mangá de A Tempestade de Shakespeare). Tendo dito isto, foi algo realmente extraordinário ser exposto na cena dos comics internacionais trabalhando num projecto com um tão conhecido escritor! Ainda estou em choque por ter conseguido o trabalho e a exposição que me tem dado tem sido fantástica. Mesmo após um ano neste projecto, não acho que ainda tenha realmente assentado!



DC: You do mangá workshops and tutorials, you have a project with Kate Brown, a "how to draw" project and on top of that, you do 6 pages per week for Freakangels. How can you keep up?
PD:
I also do a series of covers for Anna Mercury, another project that Warren's working on. I think the honest answer is sometimes I can't keep up! Everything else I do has to take a backseat to Freakangels, since that takes up so much of my time, but I try and find time to work on my other projects when I can, since I'm creatively very restless. I get itchy fingers if I haven't been drawing or writing for too long!

DC: Tu fazes workshops e tutoriais de mangá, tens um projecto com Kate Brown, um projecto “how to draw” e em cima disto tudo, fazes 6 páginas por semana para Freakangels. Como é que consegues manter o ritmo?
PD:
Também faço uma série de capas para Anna Mercury, outro projecto que o Warren está a trabalhar. Eu acho que a resposta mais honesta é que não consigo! Tudo o que faço tem que ficar em segundo lugar em relação ao Freakangels já que me consome imenso tempo, mas eu tento e encontro tempo para trabalhar nos meus outros projectos quando posso, já que sou incansável criativamente. Fico com comichão nos dedos se não desenho ou escrevo durante muito tempo!



DC: Freakangels is on its 48th episode and we're barely past the first 24 hours. How many episodes (years?) until we start to see the end of the tunnel?
PD:
Wow, I have no idea! I think Warren sees it as at least 10 volumes, but I may be wrong. I know for sure that it doesn't have a scheduled end at this point, and is likely to go on for as long as Warren wants to keep it running.

DC: Freakangels vai no seu 48º episódio e mal passamos das primeiras 24 horas. Quantos mais episódios (anos?) até começarmos a ver o fim do túnel?
PD:
Uau, não faço ideia! Penso que o Warren vê isto como pelo menos 10 volumes mas posso estar enganado. Sei com toda a certeza que não tem um fim agendado neste momento e é muito provável que continue enquanto o Warren quiser mantê-lo a correr.



DC: At this moment, volume 2 is wrapping up. Can you reveal something of the next volume?
PD:
I have a strong feeling we'll be seeing some more diverse locations soon. So far everything's been set in London, but there's a whole broken world out there to explore!

DC: Neste momento, o volume 2 acabou. Podes revelar-nos alguma coisa sobre o próximo volume?
PD:
Eu tenho a forte impressão que em breve vamos ver localizações mais diversas. Até agora tudo tem acontecido em Londres mas existe todo um mundo devastado lá fora para conhecer.



DC: Finally, any last words to our readers?
PD:
Well, hope you enjoy Freakangels, and thanks for taking the time to
read the interview! :) I'm happy to hear any feedback that readers
have, so if you want to get hold of me, just visit freakangels.com or
spoonbard.com

DC: Finalmente, algumas palavras para os visitantes da Centralcomics?
PD:
Bem, espero que gostem de Freakangels e obrigado por terem lido a entrevista! :)
Fico contente se ouvir algum feedback que os leitores tenham, por isso se quiserem falar comigo, simplesmente visitem freakangels.com ou spoonbard.com


If you want to use this interview, be my guest but please let me know. My contact is in my profile.

25 February 2009

Give Me Liberty!





Argumento: Frank Miller
Desenho: Dave Gibbons
Cor: Robin Smith
Editora: Dark Horse Comics


I know not what course others may take but - as for me - give me liberty or give me death.
Patrick Henry


Diz-se que a História tem tendência a repetir-se e prova disso é esta série de culto.
Criada em 1991, Give me liberty foi uma obra visionária, reflexo dos anos anteriores que moldaram o mundo e que nos dias que correm tem uma actualidade impressionante e assustadora.
Em 1995, na altura um futuro não muito distante e de certa forma (im)provável, a América é uma poderosa nação, detestada pelo mundo inteiro. Expulsa da ONU por ter invadido territórios como a América do Sul, Israel, Cuba, Paquistão ou Indochina com a justificação de serem no man’s land, territórios abandonados e/ou conflituosos, a criminalidade aumentou drasticamente e movimentos separatistas e extremistas desenvolvem-se às centenas lutando contra a administração central pelas mais disparatadas razões.

Uma parte da população vive em mini cidades, complexos vistos pela população exterior como prisões/asilos onde os criminosos sem emenda são enviados para cumprir as suas penas ou serem tratados. A verdade é que estes complexos são verdadeiras cidades em miniatura com todas as infra-estruturas necessárias à vida normal (escolas, hospitais, etc.) onde famílias inteiras nascem, vivem e morrem em espaços minúsculos, sem as mínimas condições e sem ver alguma vez a luz do dia. É neste tipo de instituição que a protagonista desta série, Martha Washington, nasce em 1995, um ano antes de Erwin Rexall ser eleito presidente. Desde muito nova habituada a este gueto, Martha é um génio com computadores, uma lutadora nata que sabe que a única forma de escapar a esta prisão é ser abandonada à sua sorte na rua. Esta é a solução encontrada para muitos instáveis mentais não sobrecarregarem em demasia o governo, resultado dos inúmeros cortes orçamentais que o Presidente Rexall decretou.

Erwin Rexall, um sonho de presidente que faria qualquer bom conservador redneck orgulhoso (e um produto eleitoral com muitas afinidades ao filósofo grego que nos governa), eleito pela primeira em 1996, trata de aumentar ainda mais a pressão interior e exterior dos EUA.
Levando ao extremo os ideais conservadores, Rexall faz inúmeras alterações à constituição podendo-se recandidatar sem limite, impondo um regime de ferro à população, alia-se à Polícia da Saúde, uma versão distorcida da Cruz Vermelha chefiada pelo louco Cirurgião Chefe e autorizando a morte indiscriminada de milhares de sem-abrigo que há muito infestam as cidades, resultado das expulsões das instituições.


Em pleno colapso da economia mundial, em guerra com o Irão graças a um estúpido erro que fez arder inúmeras jazidas de petróleo e com a população apache a criar problemas numa refinaria, em 2009 o impensável acontece. Uma bomba incendiária mata todos os membros do governo de Rexall, deixando este em coma profundo. Como resultado deste atentado reivindicado por mais de 60 organizações, o então ministro da agricultura, Howard Nissen, assume o lugar de presidente. Democrata e ambientalista convicto, Nissen dá uma grande volta aos desígnios do país, reconhecendo a independência da Nação Apache, assinando um armistício com a Rússia e mobilizando todas as tropas para a Amazónia, local devastado pelas empresas de hambúrgueres que se tornaram imensamente poderosas e que defendem a todo o custo as pastagens da principal fonte de alimento americana.


Martha Washington (nome da mulher do primeiro presidente dos EUA), a personagem principal desta série de culto, é uma simples rapariga nascida em 1995 no seio de uma pobre família negra a viver o complexo Cabrini Green.
Conseguindo escapar do complexo com apenas 14 anos, Martha é a nossa companhia nos eventos históricos que atravessam os EUA. Martha esteve quase sempre na linha da frente destes eventos por se ter alistado à PAX, uma suposta força de paz (uma espécie de SHIELD) americana deturpada e ao serviço do próximo golpe sujo do governo e que lavou a cara com a intervenção de Nissen. Quem se alistasse na PAX veria o seu registo criminal limpo. Martha aproveitando esta oportunidade, vai para a frente de combate na Amazónia onde é ferida pelo megalómano Coronel Moretti. Esta personagem manipuladora, herdeiro de família rica, chantageia Martha e usa-a nos seus esquemas para subir no poder na PAX e no governo.


Claro que nem tudo são rosas com a administração Nissen. A guerra na Amazónia mostrou-se desastrosa com pesadas baixas de ambos os lados. Alvo de vários atentados, o seu governo começa a ser minado por dentro por nada mais, nada menos que Moretti que pretende instaurar estado marcial e que irá levar o país a uma nova guerra civil.

Lutando contra (ou ao lado) de todas as personagens de relevo da série, Martha demonstra a sua tenacidade e bravura, escolhendo sempre o menor de vários males de forma a poder salvar o país de inúmeras ameaças.

Esta obra apesar das suas virtudes, também tem os seus defeitos. Resumidamente pode-se dizer que 4 números são pouco espaço para tanta informação. O leitor é transportado a uma velocidade fenomenal pelos acontecimentos que na maioria das vezes falham em construir uma base credível para a transição entre os eventos em que Martha Washington se vê envolvida e as explicações gerais dadas ao leitor sobre vários acontecimentos que afectam a heroína.

O desenho de Dave Gibbons é simplesmente impecável. Não há muito mais a dizer além de que é superior à rigidez de se vê em Watchmen e que muito deve também às cores de Robin Smith.

Frank Miller excede-se. Descrito por alguns como “um festival de cenas de explosões numa guerra pela supremacia de uma empresa de hambúrgueres (com alguma politica pelo meio)”, não me canso de repetir que Give me liberty é uma obra visionária. Sim, temos as situações impossíveis de uma personagem que mais parece ser invulnerável. Sim, temos as habituais explosões, combates, acção e inúmeras situações limite. Sim, temos uma heroína que salva o dia inúmeras vezes. Temos também as típicas ridículas organizações extremistas como, por exemplo, a Nação Ariana Gay que já vimos variantes em obras como Ronin ou Dark Knight Returns.
E no entanto esta obra é tudo isso e muito mais superando-se a si mesma.
Num mercado infestado de homens musculados e beldades esculturais semi-despidas todos os dias ao soco e pontapé a tentar provar algo (?), é preciso tirar o chapéu à Dark Horse e à dupla de criadores da obra por terem dado um verdadeiro salto de fé. Ter como heroína uma maria rapaz negra armada em Rambo foi um risco tremendo para todos os envolvidos… E ainda assim Miller superou.


Como já referi atrás, toda esta mini série encontra-se assustadoramente actual. Quase todos os acontecimentos nele encontram um paralelismo com a actual situação no mundo. É difícil pensar que esta obra foi produzida há mais de 15 anos numa altura em que o mundo se parece tanto como hoje. Poder-se-ia dizer que Give me liberty é o reflexo dos acontecimentos passados antes da sua produção e no entanto, o leitor facilmente se esquece destes pormenores e trata de associar eventos actuais aos da obra.
A Guerra na Amazónia é uma clara alusão à desastrosa Guerra do Golfo (ou ainda a Guerra do Vietnam) mas hoje, mais do que nunca, pode ser feita um paralelismo com a actual Guerra do Iraque e futuramente a Guerra do Afeganistão já que os EUA estão a retirar do Iraque para se concentrarem duramente neste país que lhes está a ficar fora de controlo muito rapidamente;
O colapso da economia e de Wall Street que levaram aos caos social é uma cópia exagerada (?) do que actualmente se passa no mundo;
A excessiva poluição produz um pesadelo ambiental que nos preocupa actualmente e que podemos ver as consequências nesta obra;
Também é incrível ver a semelhança que pode ser feita entre Rexall e Bush (ou até em menor grau o dito filósofo) e respectivos sucessores, Nissel e Obama que muda(ra)m a imagem da América. Curiosamente, Nissen toma posse em 2009, o mesmo ano em que Obama também foi oficialmente declarado presidente dos EUA.

Com estas semelhanças e muitas outras que vos desafio a descobrir, não há margem para dúvida em afirmar que Frank Miller foi um visionário e criou uma obra obrigatória que merecia um muito maior destaque e uma profunda análise. Esta obra merece, mais do que nunca, uma leitura muito séria. Que nos sirva para pensar, nem que seja por um bocadinho, no estado actual do mundo e no que uma simples pessoa (cada um de nós) pode dar de si para criar para contribuir para um mundo melhor tal como Martha fez.

A lista completa de estórias é a seguinte:
-Give Me Liberty (mini série de 4 números)
-Martha Washington Goes to War (mini série de 5 números)
-Happy Birthday, Martha Washington (one-shot)
-Martha Washington Stranded in Space (one-shot)
-Martha Washington Saves the World (mini série de 3 números)
-Martha Washington Dies (one-shot)

Encontra-se em preparação um Omnibus de mais de 600 páginas com tudo o que esteja referente à personagem de Martha Washington que estava previsto sair em 2008. Actualmente no site da Amazon fala em Julho deste ano. Resta-nos esperar.

NOTA: Quem tiver a 3ª e 5ª séries para venda, que me contacte por favor já que são as únicas estórias que me faltam para acabar a colecção.

19 February 2009

Interviewing Pat Mills

Pat Mills, personality that goes unnoticed to the comics readers, is known as the "godfather of British comics." Founder of the 2000 AD magazine that has made known to the world many respected artists, Pat is the creator of Marshal Law (with Kevin O'Neill), Requiem: Chevalier Vampire (with Olivier Ledroit), writer of Judge Dredd, among many other works.
Irreverent and somewhat controversial, Centralcomics took advantage of his recent presence of the author in FIBDA, in order to do an interview and discuss the current tendency of the comics market.

Pat Mills, figura que passa algo despercebida aos leitores de comics, é conhecido como o “padrinho dos comics britânicos”. Fundador da revista 2000 AD que deu a conhecer ao mundo inúmeros artistas conceituados, Pat é criador da série Marshal Law (com Kevin O’Neill), Requiem: Chevalier Vampire (com Olivier Ledroit), escritor do Judge Dredd, entre muitas outras obras.
Irreverente e algo polémico, a Centralcomics aproveitou a recente presença do autor no FIBDA para lhe cravar uma entrevista e discutir a actual tendência do mercado bedéfilo.



Diogo Campos: You're known has the "godfather of British comics". You created 2000AD which opened the doors to the British invasion of American comics where many authors like Garth Ennis, Sean Phillips, Alan Moore, Warren Ellis or Neil Gaiman first showed up to a vast audience. How do you see yourself as a historical character on the comics history?
Pat Mills:
2000AD was a European influenced comic and I prefer European comics, hence why I write Requiem for France. So the term Godfather is kind of misleading as it suggests a connection with this move to America which I don't relate to. Although I have worked for America, I don't like super heroes because they are mainly phoney, a travesty of the meaning of the word hero, and I equally dislike most of Vertigo which is "corporate cool", rather than genuinely cool. Hence why I write Marshal Law - super hero hunter. So I see myself as an Outsider, moving in the opposite direction to everyone else, a direction that is better for my soul, if not my bank balance.

Diogo Campos: És conhecido como o padrinho dos comics britânicos. Criaste a 2000AD que abriu portas para a invasão britânica dos comics americanos onde muitos autores como Garth Ennis, Sean Phillips, Alan Moore, Warren Ellis ou Neil Gaiman foram apresentados pela primeira vez a uma vasta audiência. Como é que te vês sendo uma figura histórica dos comics?
Pat Mills:
A 2000AD foi um comic com influências europeias e eu prefiro comics europeus, daí ter escrito o Requiem para o mercado francês. Por isso, o termo “padrinho” é um pouco enganador já que sugere uma ligação com esse movimento para a América com o qual eu não me relaciono.
Apesar de ter trabalho para os EUA, não gosto de super heróis porque são travestis do significado da palavra herói. E não gosto igualmente da Vertigo por ser “corporative cool” em vez de “genuinamente fixe”. Daí eu ter escrito o Marshal Law – caçador de super heróis. Por isso sinto-me de certa forma afastado desses movimentos, seguindo numa direcção oposta à de toda a gente, uma direcção que é a melhor para a minha alma, se não para a minha conta bancária.



DC: Now that I think of it, even Vertigo doesn't dare to do "certain things" that are common in French comics. It's the self censorship that never abandoned American comics?
PM:
Well observed.

DC: Agora que penso nisso, mesmo a Vertigo não se atreve a fazer “certas coisas” que são comuns na banda desenhada francesa. Será a auto censura nunca abandonou os comics americanos?
PM:
Bem observado.



DC: What do you think is the reason?
PM:
It's part of a big corporation. I have occasionally raised genuinely cool but very serious issues for stories in their direction. Negative or No response.

DC: Qual te parece ser a razão?
PM:
A Vertigo faz parte de uma grande corporação. Ocasionalmente já lhes enviei ideias genuinamente fixes mas sérias para histórias na direcção deles. Acabei por obter respostas negativas ou mesmo nenhuma resposta.



DC: Garth Ennis's The Boys was turned down by Vertigo before Dynamite picked it up for instance. Maybe I’m not paying enough attention but it seems all the publishers are always a bit “careful” with what they launch. Do you think even the small ones have the same corporative issue?
PM:
Possibly. The days when American comics did really "brave" material are long gone. Violent isn't the same as brave.
E.G. Last Gasp American comics in the 70s were the first to expose the Karen Silkwood affair. That is true bravery!

DC: The Boys, do Garth Ennis, foi recusado pela Vertigo antes da Dynamite ter pegado nele por exemplo. Talvez não esteja a prestar atenção mas parece que todas as editoras têm um certo “cuidado” com aquilo que publicam. Achas que até as pequenas editoras têm os mesmos “receios” que as grandes?
PM:
Possivelmente. Os dias em que os comics americanos produziam material “arrojado” há muito que se foram. Violência não é o mesmo que coragem e bravura.
Por exemplo, a Last Gasp American comics, nos anos 70, foram os primeiros a expor o caso Karen Silkwood [*]. Isso sim é verdadeira bravura!



DC: Moving on to a general idea, how do you see the comics market?
PM:
Very conservative in Britain and America. Innovative in Europe - although sometimes I get the feeling European artists and writers are overly influenced by UK and US and France when their own culture has as much or more to offer

DC: De um modo geral, como é que vês o mercado bedéfilo?
PM:
Muito conservador no Reino Unido e na América. Inovador na Europa – embora às vezes eu tenha a sensação que os artistas e escritores europeus são demasiado influenciados pelo Reino Unido, EUA e França quando a sua própria cultura tem tanto ou mais para oferecer.



DC: What do you think will be the future of comics?
PM:
I think they are booming. But they have to less to actually say now because we live in a very conservative decade

DC: Qual achas que irá ser o futuro da banda desenhada?
PM: Acho que se está a expandir. Mas agora têm menos para dizer porque vivemos numa década muito conservadora.



DC: Do the American publishers still track down creators from 2000AD?
PM:
I'm sure they do. But this last question implies there is some great achievement if they do. Why not French publishers? Why do we have to be tracked down anywhere? What about if we are already where we want to be? The world is far too American orientated and we need to resist neo-colonialism. Leave that to Tony Blair who - to my country's shame - was so happy to kiss Bush's ass. In comics, we don't have to do the same.

I will give you an example:
A very important American publisher "tracked down" an artist on one of my British stories and wanted him to dump my story and work for them. The artist said no to them. They said - but we can give you more money. He said no again. They were angry because the dollar didn't buy him. He preferred to work for Britain. He preferred to work on my story because he cares about the story and about art. The dollar does not always win.

These are the things we as Europeans should be celebrating rather than the constant admiration for American corporate comics.

We should be equal partners, treated with equal respect. The best way to achieve this is to take pride in our European culture and our own comics. I loved the Portuguese comics I saw when I was over in Lisbon. They were great. But I fell asleep at an editorial meeting of Marvel Comics in New York once. Seriously! Super Heroes! What is all the fuss about? Marshal Law needs to pay them all a visit.

DC: As editoras americanas ainda vão à procura de criadores da 2000AD?
PM:
Tenho a certeza que sim. Mas esta questão implica que exista algum grande feito se são escolhidos. Porque não editoras francesas? Porque é que temos de ser repescados de algum sítio? E se nós estivermos exactamente onde gostamos de estar? O mundo é demasiado orientado para os americanos e nós temos que resistir a esse neo-colonialismo. Deixem isso para o Tony Blair que – para vergonha do meu país – esteve contente em lamber as botas do Bush. Na banda desenhada não precisamos de fazer o mesmo.

Vou dar-te um exemplo.
Uma importante editora americana “descobriu” um artista de uma das minhas estórias britânicas e queria que ele largasse a minha história e fosse trabalhar para eles. Ele disse que não. Eles disseram: “mas nós podemos dar-te mais dinheiro”. Ele disse não novamente. Eles ficaram zangados porque o dólar não o comprou. Ele preferiu trabalhar para o Reino Unido. Ele preferiu trabalhar na minha estória porque se preocupa com a estória e arte. O dólar nem sempre ganha.

Estas são as coisas que nós como europeus devíamos celebrar em vez da constante admiração pelos “corporate comics” americanos.

Deveríamos ser parceiros iguais, tratados com o igual respeito. A melhor maneira de atingir isto é ter orgulho na nossa cultura europeia e nas nossas BDs. Eu adorei as BDs portuguesas que vi quando estive em Lisboa. Eram altamente. Mas já adormeci uma vez numa reunião editorial da Marvel Comics em Nova Iorque. A sério! Super heróis! O que há de tão especial neles? O Marshal Law precisa de fazer-lhes uma visita!




DC: I’m glad you enjoyed our comics. Was there anyone or anything that caught your attention?
PM:
Yes, the comic strip about TB as the enemy in a football game. I thought that was amazing.

DC: Estou contente que tenhas gostado das nossas BDs. Houve alguém ou algo que te tenha chamado a atenção?
PM:
Sim, a tira acerca da tuberculose como o inimigo num jogo de futebol. Achei que era espantoso.



DC: Well it’s a common thing the American publishers track down authors from other smaller publishers. The small ones have the hard work launching someone’s career and when they do, the major ones try to pick them up.
There’s this general idea that the pinnacle of a comics artist is working for the 3 or 4 major publishers.
PM:
In Britain - yes. But in Europe working for the top French publishers is the objective. So artists in Poland and Serbia would want to work for France - Soleil, Dargaud etc. - rather than the States.

We have to get away from this idea that the world revolves around America.

For example in Berlin... a popular comic-based Hollywood movie came out , but my German film-student friends had never heard of it the week it was Number Three in the German charts. They were far more interested in European cinema. I am sure they are not alone.

DC: Também é normal as editoras americanas procurarem autores de outras editoras mais pequenas. Estas têm todo o trabalho de lançar a carreira de alguém e, quando o fazem, vêm as grandes apanhá-los.
Existe uma ideia geral que o pináculo da carreira de um artista de BD é trabalhar para as 3 ou 4 maiores editoras.
PM:
No Reino Unido – sim. Mas na Europa, trabalhar para as grandes editoras francesas é o objectivo. Por isso é que artistas da Polónia e Sérvia prefeririam ir trabalhar para França – Soleil, Dargaud, etc. – do que para os Estados Unidos.

Temos que nos afastar da ideia que o mundo gira à volta da América.

Por exemplo, em Berlim… um filme de Hollywood baseado num comic popular saiu, mas os meus amigos alemães estudantes de cinema nunca tinham ouvido falar dele na semana em que o filme ficou em 3º lugar nos tops alemães. Eles estavam muito mais interessados no cinema europeu. Estou certo de que eles não estão sozinhos.



DC: They give you more audience and apparently pay more but there are other alternatives. 2000AD seems to be one and like 2000AD, there are other magazines and publishers looking for new people. For those who are already out there trying to be noticed, what can you recommend so they can move on to higher grounds?
PM:
If you are an artist - work for France. If you are a writer - find an artist and work for France. But it's just as tough as the States... However, anyone who has talent will eventually find a home.

DC: Eles dão-te mais público e aparentemente pagam mais mas existem outras alternativas. 2000AD parece ser uma delas e tal como a 2000AD, existem outras revistas e editoras à procura de nova gente. Para aqueles que estão actualmente a tentar ser notados, o que podes recomendar para que possam mover-se para níveis mais altos?
PM:
Se és um artista – trabalha para a França. Se és um escritor – encontra um artista e trabalha para a França. Mas é tão difícil como nos Estados Unidos… Apesar disso, qualquer um com talento consegue eventualmente encontrar uma casa.



DC: Of all the things, why comics?
PM:
Me? I guess cos I can say the things I want to say

DC: De todas as coisas, porquê comics?
PM:
Eu? Acho que é porque posso dizer as coisas que quero dizer.



DC: But how and when you did you decide you wanted to do comics for a living? What was your first experience with comics?
PM:
When I worked for a publishers who produced comics. Previously, as a kid, I had no real experience of comics.

DC: Mas como e quando é que decidiste que querias viver a fazer BD? Qual foi a tua primeira experiência com BDs?
PM:
Quando trabalhei para uma editora que produzia comics. Antes, como criança, não tive nenhuma experiência com BDs.



DC: What comics do you usually read?
PM:
French or Italian comics

DC: Que BDs costumas ler?
PM:
Banda desenhada francesa ou italiana.



DC: Do you have any authors and/or titles you prefer?
PM:
Bilal. Druillett. Conquering Armies.

DC: Tens algum autor e/ou série que prefiras?
PM:
Bilal. Druillett. Conquering Armies.




DC: Besides John Wagner, you were one of the creators who most contributed to the Judge Dredd’s character and world early conceptions. You’ve watched Dredd’s world start from scratch so, here's the inevitable question, what do you think of the movie and Stallone as Dredd?
PM:
Not as bad as people said. There are worse movies out there!

DC: Além de John Wagner, tu foste um dos criadores que mais contribuiu para a personagem Judge Dredd e para a caracterização do seu universo. Tu viste o mundo do Dredd começar do nada e por isso, fica aqui a inevitável pergunta, o que achas do filme e do Stallone como Dredd?
PM:
Não é tão mau como as pessoas pensam. Há filmes muito piores por aí!



DC: Many people (like me) are eager to know: when we'll see a Requiem compilation in English?
PM:
Oh, yeah and me! It's a slow process. Panini UK are interested, possibly tieing in with Paninis elsewhere. But Heavy Metal are currently doing US edition.
Finally!!

DC: Muitas pessoas (como eu) estão ansiosas por saber: quando é que vamos ter uma compilação do Requiem em inglês?
PM:
Oh, sim e eu! É um processo lento. Há interesse por parte da Panini UK e possivelmente das restantes Paninis. Mas a Heavy Metal está neste momento a fazer a edição americana.
Finalmente!



DC: And what about Claudia Chevalier Vampire? Will it be collected along with Requiem?
PM:
Separate collection in France. Also in States

DC: E em relação à Clauda Chevalier Vampire? Também será compilada junto com o Requiem?
PM:
Colecções separadas em França. O mesmo nos Estados Unidos.



DC: Can you reveal something of your future projects? Anything new we should be looking forward to?
PM:
More of the same. In France, Sha will be reprinted shortly. In Britain... I write various 2000AD characters: Savage, Judge Dredd, ABC Warriors, Greysuit, Defoe, Slaine.
I also write audio plays for Doctor Who and am working on my third one soon
And next year Top Shelf will publish a Marshal Law Omnibus.

DC: Podes revelar-nos alguma coisa dos teus projectos futuros? Alguma coisa que deveríamos estar atentos?
P:
Mais do mesmo. Em França, o Sha vai ser reeditado brevemente. No Reino Unido… escrevo várias personagens para a 2000AD: Savage, Judge Dredd, ABC Warriors, Greysuit, Defoe, Slaine.
Também escrevo peças do Doctor Who para a rádio e estou neste momento a trabalhar na minha terceira. E este ano a Top Shelf irá publicar Marshal Law Omnibus.



DC: Do you have any advice to young creators who want to create their own projects?
PM:
Write and draw from the heart about something you really know about. Use Writer's Journey as your guide.
Good luck!

DC: Tens algum conselho para os jovens artistas que querem criar os seus próprios projectos?
PM:
Escrevam e desenham do coração acerca de algo que realmente saibam e conheçam. Usem o The Writer’s Journey como guia.
Boa sorte!


[*] Activista sindical americana suspeita de ter tido uma morte arranjada pela companhia de energia nuclear onde trabalhava quando investigava denúncias de irregularidades.



If you want to use this interview, be my guest but please let me know. My contact is in my profile.

Photo by Gabriel Martins.

09 November 2008

Diário de Bordo V - FIBDA 2008

Recuperado mais um Diário de Bordo. Desta vez a visita foi feita ao festival da Amadora que este ano esteve muito bom. Não quis abusar mais da vossa paciência senão tinha escrito mais.

E aqui as sugestões de compra para este ano:












Material estrangeiro já toda a gente conhece. Apoiemos a produção nacional.
COMPREM!!!!

Ia ter um conto publicado no Venham +5 a ser lançado neste FIBDA. Acontece que não há Venham +5 este FIBDA... Fica a dúvida se sairá no próximo número (por altura do festival de Beja) ou nalgum BDjornal ou antologia. Os desenhos (muito bons por sinal) são do Véte!

No BDjornal #23, estão pranchas dos Murmúrios das Profundezas. Em pré-publicação... Quando o livro já está esgotado.

Novas críticas estão constantemente a ser adiadas. Já tenho um bom número de reviews meias feitas mas falta tempo. Entre elas: Fall of Cthulhu, World War Hulk, Captain America, Thor e outras que não me lembro.

Mais novidades: estou a entrevistar essa figura mítica que é o Pat Mills e prometo alguma polémica no resultado final... Se tiverem perguntas que valham a pena, digam-me que eu passo-as ao Pat.


A cidade da Amadora foi mais uma vez palco da maior festa da 9ª arte no nosso país. Nesta 19ª edição subordinada ao tema “Tecnologia e Ficção Científica”, todas as expectativas foram superadas e pouquíssimas criticas foram ouvidas. Na recta final deste ano, aqui fica o Diário Bordo do primeiro fim-de-semana.

Tendo visitado os últimos 5 anos do FIBDA, posso afirmar sem sombra de dúvida que o festival melhora a olhos vistos de ano para ano. Tudo este ano foi quase perfeito.
Imitando um ambiente futurista, toda a concepção do espaço do festival foi pensada como um grande astro-porto com direito a nave espacial alojada.

No piso térreo apresentavam-se o grosso das exposições num ambiente um pouco labiríntico mas muito bem decorado cheio de estranhas criaturas alienígenas e decoração a condizer com o tema de cada exposição.

A exposição do Dave McKean era em tudo semelhante à de Beja. Apresentava a mesma prancha do Asilo Arkham, amostras de Mirromask, Cages e a capa para o 1º comic da série Hellblazer. Ainda assim o grande destaque foi para a obra Mr. Punch com muitas pranchas, a maioria delas não expostas em Beja e com decoração a condizer com a obra.

A exposição de Oesterheld mais uma vez teve problemas. À semelhança do festival Viñetas desde o Atlántico, não foi possível expor originais do autor. Se se pensava que o problema com o festival de Corunha em Agosto tinha sido isolado, agora confirma-se a ideia que o autor assassinado ainda é um assunto que não agrada à Argentina apesar da mudança de regime.

Destaque ainda para as exposições do fanzine Venham +5, os originais do concurso deste ano que revelam muitos excelentes novos autores, Luís Henriques que mostra o quão versátil é e Rui Lacas que infelizmente tinha em exposição uma prancha e uma das paredes decorada com uma cena do livro que em muito estraga a história a quem não a leu.

O piso -1 foi projectado à semelhança de uma grande e comprida nave espacial cheia de recantos escondidos com surpresas. Quando se pensava que se tinha visto tudo, havia sempre mais um canto com uma novidade. Se por um lado imita o ambiente de uma nave, por outro alguns visitantes podem perder as exposições

Com a zona comercial logo à cabeça, a “nave” estendia-se para a zona de autógrafos ladeada pelas 3 exposições, e continuando em varias divisões até ao fim do espaço onde se encontrava a exposição Star Wars.

O destaque deste piso vai para a surpresa que foi a exposição da delegação chinesa, Menino Triste do João Mascarenhas e Tara McPherson que só pecava por não ter mais originais já que a maioria da exposição era composta por prints de edição limitada que estão disponíveis no site oficial da ilustradora.

Apesar da excelente qualidade das exposições, a grande desilusão foi na minha opinião a exposição Star Wars. Basicamente uma exposição de coleccionáveis ligados à obra (miniaturas, action figures, estatuetas, etc.) e alguns posters da trilogia original e imagens do mais recente filme (Clone Wars), esta exposição peca precisamente pela falta de variedade. Com um universo tão rico e variado como este, não existe falta de material para exposição. Existe uma imensa variedade de BDs relacionados com este universo que fariam mais sentido estarem expostos. E ainda para mais quando um dos autores convidados para o 1º fim-de-semana, Pat Mills, já participou com alguns comics para este imenso mosaico de histórias.

O fim-de-semana foi bem concorrido com uma diferença abismal no Domingo. No Sábado andava-se muito à vontade por todo o lado mas no Domingo, especialmente na zona de autógrafos, notou-se uma maior afluência.

Os autógrafos, contrariando o caso Manara do ano passado, correram muito bem. O espaço estava genialmente projectado apesar de algumas queixas por parte dos autores que tinham pouco espaço e luz e das pessoas na fila que tinham que se abaixar como se estivessem num guiché de alguma repartição pública.

Dave McKean esteve presente no Sábado ao fim da tarde passeando anonimamente por algumas exposições. No Domingo, repetindo muito do que já tinha dito no Festival de BD de Beja, fez uma conferência e sessão de perguntas a um vasto público. Alguns metros adiante, estava a formar-se uma fila para os autógrafos ainda antes do autor chegar ao recinto. Apesar de ter sido a maior fila deste fim-de-semana, o autor conseguiu despachar desenhos e assinaturas a um bom ritmo e toda a gente levou para casa mais alguns livros assinados. Mesmo havendo um limite de um desenho e três livros por pessoa, o autor fez questão de presentear os detentores do guião do Mirrormask com um desenho extra apesar da pressa que tinha para apanhar o avião que partia em poucas horas.

Pat Mills sempre impecável teve pouca afluência. Por ser escritor, os autógrafos tendem a ser rápidos e o facto de ter pouco material à venda contribuiu para poucas assinaturas mas isso não o impedia de ser extremamente simpático, falando pelos cotovelos com Kevin O’Neill ou outras pessoas que o abordassem.
O mais engraçado nesta dupla inseparável foi ficarem deslumbrados com certos livros que as pessoas lhes pediam para assinarem. Esgotados há muitos anos, nem os próprios autores tinham um exemplar e assim trocaram muitos endereços de lojas com esse material ainda disponível.

Kevin O’Neill, tendo esquecido do material de desenho no hotel, teve que improvisar com simples canetas de esfera, fazendo desenhos rápidos e que desiludiram um pouco quem estava à espera do detalhe que o autor apresenta na Liga de Cavalheiros Extraordinários. Foi um dos autores que viu a procura aumentar bastante de Sábado para Domingo sempre disponível para o elevadíssimo numero de exemplares de livros da Liga que toda a gente parecia possuir.
Apesar de estar impedido de dar detalhes das novas aventuras, Kevin deixou “escapar” que a série a próxima aventura editada pela Top Shelf se passará no século XX e apresentará novas personagens. Será que vamos ter uma nova Liga completamente refeita?

Tara McPherson sempre muito cordial começou com poucas pessoas no Sábado e acabou no Domingo com filas contínuas. Com bastantes sorrisos e desenhos simples, esta autora mais conhecida pelos seus trabalhos de ilustração para bandas foi uma das estrelas do fim-de-semana. Foi outro dos artistas que viu a procura aumentar substancialmente de Sábado para Domingo.

Liberatore e Esteban Maroto tiveram uma procura regular durante todo o fim-de-semana. Ambos grandes desenhadores, as filas para ambos eram muito demoradas mas o incrível detalhe e cuidado que dedicavam a cada desenho compensavam a espera e as pernas doridas. Esta grande procura ainda fez esgotar no Domingo todos os desenhos do portfólio que o Maroto tinha venda a preços muito simpáticos.

Os autores portugueses estiveram sempre bem representados com os habituais Ricardo Cabral, João Mascarenhas, equipa da Kingpin of Comics ou o omnipresente José Carlos Fernandes.
Só foi pena a malta da Marvel não ter aparecido para uma apresentação ou sessão de autógrafos conjunta.

Com uma edição tão cuidada, fica a questão de como conseguirá o festival crescer ainda mais na próxima edição quando já atingiu um tão elevado nível na qualidade dos autores, exposições e espaço que oferece.
Venha o que vier para a próxima edição subordinada ao tema “O Grande Vigésimo”, estaremos aqui para a acompanhar o maior festival do nosso país.

19 September 2008

Black Summer

Argumento: Warren Ellis

Desenho: Juan Jose Ryp

Editora: Avatar Press


Numa altura em que a política voltou a ser tema nos comics de super heróis onde estes apresentam os seus argumentos ao sabor de pontapés e socos, Warren Ellis criou uma mini série política onde o tema de super heróis é mais uma vez analisado a uma nova luz.


A premissa desta série e muito simples e ao mesmo tempo controversa: se a tarefa de um super-herói é deter o crime sempre que o encontrar, não poderá esse super-herói deter um governo corrupto?

John Horus é o elemento mais poderoso dos Seven Guns, um grupo de super humanos que adquiriram “melhoramentos” de forma artificial e que se dedicaram a livrar a sua cidade de toda a corrupção, drogas e gangs.


Justificando-se com o facto de o governo dos EUA ter falsificado as eleições e ter entregue a segurança da nação a empresas privadas de segurança que contratam mercenários enquanto os soldados americanos morrem numa guerra baseada em mentiras, John Horus assassina o presidente e vice-presidente na véspera das comemorações do Dia da Independência exigindo eleições livres e um novo começo para o país.

Acontece que quando alguém ameaça o governo dos EUA, a resposta não se deixa esperar. Não querendo correr o risco dos outros Guns estarem envolvidos apesar das garantias dadas por John Horus, o primeiro alvo a abater é Tom Noir. Este é o mais inteligente dos Seven Guns que abandonou a prática quando uma bomba lhe custou uma perna e matou a sua colega e namorada Laura Torch mantendo os seus melhoramentos/poderes desligados há mais de um ano não sabendo se ainda funcionam.


Com o exército a invadir a cidade mas não se arriscando a atacar frontalmente os Guns, estes resgatam Tom Noir e procuram abrigo abrindo caminho de forma espectacular. Acontece que existem outros jogadores que querem os Guns destruídos. O primeiro alvo (falhado) foi Tom Noir. Com esta reunião dos restantes 5 Guns, uma força de vários agentes com melhoramentos semelhantes aos Guns são destacados para abatê-los dando azo a espectaculares, destrutivos e sangrentos combates ao longo dos 7 números desta mini série.



Black Summer é uma mistura de temas. Numa primeira vista, a ideia parece (mais uma vez) ser os super heróis a trocar argumentos e a tentarem mostrar a melhor opção política ao soco e pontapé. De facto a série está cheia de combates grandiosos mas a verdadeira mensagem está em certas críticas que o Warren Ellis faz aos EUA. Sendo um escritor inglês, Ellis consegue o distanciamento necessário para fazer uma análise política e uma forte critica aos EUA na sua intervenção no Iraque.


Esta série também consegue ser uma profunda reflexão dos super heróis: qual é a linha moral que divide os actos de um super herói dos de um criminoso?; com acesso a poderes incríveis, os heróis não conseguiriam semelhantes resultados sem recorrer à violência?; à semelhança de Watchmen, quem é que poderá controlar estes super seres e saber se não terão enlouquecido?; como é que um herói define quais são os limites aceitáveis para quebrar a lei por aquilo que considera ser certo?.

Uma nova perspectiva dada aos super heróis, resultado de uma aposta que o Warren Ellis fez com o editor da Avatar como poderão ler no texto introdutório da série.


O desenho de Juan José Ryp é extremamente detalhado. Tem um nível de pormenores que faz lembrar o de Geof Darrow mas a um ponto de quase saturação da página sem deixar de a sobrecarregar demasiado. A minúcia é tal que quase se poderia reconstruir um vidro partido a partir de todos os pedacinhos que foram desenhados. O mal dele é que não consegue transmitir movimento em muitas vinhetas. Ao desenhar um simples pontapé, o desenhador parece ter as personagens em pose e estar mais preocupado com desenhar os efeitos desse mesmo pontapé do que mostrar movimento e impacto. Ainda assim o extremo detalhe dos desenhos valem uma segunda leitura para apreciar alguns pormenores (exemplo, numa splash page de completo massacre, a um canto, muito pequenino, temos o SpongeBob).

10 September 2008

Breaking the Fourth Wall

Argumento: Grant Morrison
Desenho: Chris Weston
Editora: Vertigo

The Filth é uma expressão do calão britânico que designa a polícia. Filth também pode designar algo pornográfico, sujo. The Filth é também outro nome dado à agência The Hand, uma organização secreta que se dedica a manter o “Status: Q” (status quo) da Humanidade livrando-a de tudo o que é aberração, perverso, não natural, e que representem uma ameaça com que as pessoas ditas normais não podem ou não querem lidar.

Greg Feely é um solteiro viciado em pornografia e obcecado com o seu gato Tony. Os seus vizinhos acham-no estranho e, além disso, é suspeito de ser pedófilo. Mas Greg não é mais do que um para-persona, uma identidade falsa dada a Ned Slade quando este se reformou da Hand e lhe limparam a memória. A sua reforma foi interrompida porque a ajuda dele é necessária para combater novas ameaças e é designado um substituto para tomar conta do gato e seguir com a vida normal de Greg para não levantar suspeitas.

Mas acontece que Greg não se lembra nada da sua anterior vida como Agente Slade. A explicação tantas vezes repetida pelos agentes da Hand é que na sua última missão, Slade sofreu um trauma que o fez esquecer-se da sua existência anterior como agente e agarrar-se demasiado à para-personalidade de Greg Feely.

Slade é enviado para diversas e estranhíssimas missões: acompanhado por um chimpanzé comunista que não gosta de humanos e que se gaba de ter matado JFK, tentam impedir as maquinações de Spartacus Hughes, um ex-companheiro de Slade agora classificado como anti-person; impedir uma arma biológica criada por um realizador de filmes pornográficos a partir do sémen negro de Anders Klimakks, outro anti-person que consegue até engravidar uma mulher de 75 anos!; nano tecnologia criada para ajudar a Humanidade que vivia num mini planeta idílico até esse equilíbrio ser brutalmente destruído por Spartacus com consequências que se repercutem no resto do livro.

E sempre rodeado de suspeitas sobre o verdadeiro papel da Hand e dos seus agentes incluindo ele mesmo, Slade a dada altura rebela-se contra a agência e descobre algumas verdades sobre a mesma, sobre a realidade como a conhecemos, sobre a(s) sua(s) própria(s) identidades que ele sempre pôs em causa, sobre o poder que a ficção tem de criar novos mundos.
The Filth é uma leitura estranha e difícil onde as aparências enganam sempre. É um murro mental que promete muitas dúvidas e onde se toca em imensos temas como realidades alternativas, crises de identidade, teorias da conspiração e ainda certas paródias e reflexões sobre os super heróis.


Destas paródias destacam-se os fatos utilizados pelos agentes da Hand que são muito garridos e ridículos de forma a mexer com o inconsciente de quem os vê e fazê-los esquecer do que viram (algo à semelhança da luzinha utilizada pelos Men in Black). O conceito da BD de super heróis é também palco de uma das cenas mais estranhas e geniais deste livro onde, à semelhança de Watchmen do Alan Moore onde existe uma BD (a dos piratas) dentro da própria BD que é o Watchmen, em The Filth existe um meio de alguns agentes “mergulharem” no mundo de uma BD para resgatar instrumentos que possam usar na realidade sendo esta realidade, uma realidade criada por uma personagem. Confuso? Sim, muito! Imaginem que era possível mergulharem dentro dos acontecimentos de um comic que têm lá por casa e saírem quando quiserem trazendo coisas de lá. Este método é utilizado pelos agentes na sede da Hand estando esta situada numa realidade alternativa/paralela aparentemente criada por um ser misterioso que mais tarde é revelado para grande surpresa do leitor.

A esta técnica de escrita chama-se fourth wall e pode ser encontrada nas reflexões acerca das Crises na DC e também noutras obras onde a personagem sabe que é uma personagem numa estória e dirige-se ao seu criador ou ao leitor. Aqui é usada numa forma ainda mais complexa onde existem várias "quebras" da fourth wall mas sem se dirigir ao leitor.

É um livro que convém reler várias vezes para captar os sentidos da estória e onde se descobrem sempre coisas novas a cada nova leitura.
Este livro é um mergulho num verdadeiro festival esquizofrénico onde abundam a pornografia, drogas, muitos palavrões e violência gráfica que não estão ali por acaso. Por mais confuso que tudo seja, há sempre uma finalidade.


Quase que se podia dizer que este livro é Grant Morrison usando drogas duras e sem qualquer tipo de censura por parte da editora. Ainda assim o livro peca por ser confuso numa primeira leitura mas, como fica a fazer comichão mental, as releituras são bem vindas e com um pouco de ajuda, descobrem-se sempre mais pormenores e outros sentidos escondidos. Penso que um maior número de páginas por comic ajudava o livro a ter espaço para se desenvolver melhor e deixar o leitor respirar.

As capas são de Carlos Segura e pode-se dizer que são no mínimo extraordinárias. Todo o livro é apresentado como sendo um medicamento (até contém nas primeiras páginas o modo de utilização como os verdadeiros medicamentos onde se descrevem efeitos secundários, recomendações, posologia, composição, etc.) com um grafismo que faz lembrar simples caixas de medicamentos.

Os desenhos de Chris Weston cumprem o objectivo. São simples, eficazes e realistas mesmo num ambiente de completa maluqueira onde se vê de tudo.

21 August 2008

Diário de Bordo IV - Viñetas desde o Atlántico, um festival de lições

Bem sei que não tenho dito nada. Ando meio ocupado com Venham +5, concurso do FIBDA, Zé Manel. A outra metade é com filmes, alguma BD e lutar para acabar de ler os livros.
E agora com 2 semaninhas no Algarve dedicadas à leitura já que (finalmente!) vou estar longe de computadores que só me distraem das leituras lol

Fica aqui o mais recente Diário de Bordo, desta vez referente ao festival Viñetas desde o Atlántico em Corunha. Amadora, aprendam com Corunha! Corunha, aprendam com a Amadora!

PS-Infelizmente não há fotos porque estupidamente só me lembrei da máquina quando chegamos a Corunha...



Num país que apoia bastante a cultura e tem uma pujança editorial que só vendo para crer, o Viñetas desde o Atlántico afirma-se como um dos maiores festivais de Espanha. O Diário de Bordo seguiu para o país de nuestros hermanos para visitar durante o dia 15 Agosto o festival da Coruña que celebra este ano a sua 11ª edição.

DIVULGAÇÃO

A divulgação deste festival é excepcional. Logo à entrada da cidade já é possível ver cartazes com o símbolo do festival (que foi criado pelo Miguelanxo Prado na primeira edição do festival) em todos os postes de iluminação além de reproduções em tamanho real de inúmeras personagens de BD em pontos-chave da cidade. É uma boa maneira de reutilizar a publicidade sem haver necessidade de criar novos cartazes todos os anos só porque o desenho do cartaz e o número da edição do festival mudou.

Pode-se dizer que este festival vive da cidade. Lojas que aproveitam o movimento do festival para estarem abertas mais tempo; promoções; e uma população que sai à rua para visitar exposições e bancas que não tem preconceito em relação à BD.

EXPOSIÇÕES

Semelhante a Beja, o festival divide-se em vários locais no centro da cidade. O local dos autógrafos (Palexco), as bancas e o edifício da Fundación Caixa Galicia encontram-se todos na mesma zona das 3 avenidas junto ao porto ao alcance de alguns metros a pé.

As exposições de David Aja e Daniel Acuña situavam-se no equivalente à Câmara Municipal, na praça coração da cidade, obrigando desta forma a conhecer mais da cidade e tudo a uma distância muito acessível.

Estando o Kiosk Alfonso, habitual e principal espaço de exposições do festival ocupado com outra exposição referente à comemoração do 800º aniversário da cidade, algumas exposições deste ano foram transferidas para o edifício Fundación Caixa Galicia propriedade do banco homónimo.
Além das excelentes exposições de Mark Buckingham, Solano López (que devido a problemas, teve em exposição cópias digitais de várias pranchas que muito perdiam para os originais) e da dupla Étienne Le Roux e Luc Brunschwig, quem visitasse o edifício tinha ainda direito a uma exposição do Museu Prado: El Retrato en el Prado. De Goya a Sorolla. Tudo muito bem apresentável e com nível (pena não deixarem tirar fotografias).

No Palexco, muito espaço livre e simplicidade ao máximo reinavam no que era também o espaço para autógrafos. As exposições presentes eram de Howard Cruse, Miguel Gallardo, Paco Roca, Oliver Ka e José-Louis Bocquet e Catel Muller.

ESPAÇO COMERCIAL

As bancas situam-se no exterior, mesmo em frente da Fundación Caixa Galicia. O espaço comercial está completamente desligado do espaço dos autógrafos e isto por um lado permite potenciar as vendas com os leitores ocasionais de passagem e também evitar que num espaço limitado se formem pequenas multidões mas por outro perde nos autógrafos por não se ter à mão uma banca com as obras dos autores. O exemplo da Amadora podia ser aqui seguido mas percebe-se que o mais importante torna-se divulgar as publicações e vender àqueles que não se preocupam com autógrafos.

O espaço comercial com mais de 40 bancas (!!!) dá para ter uma ideia da pujança que o mercado bedéfilo tem em Espanha. Este monstro editorial é constituído por um elevado número de editoras de todos os tipos e editam praticamente tudo o que se vê lá fora sem nunca esquecer os autores nacionais muito bem representados e editados em grandes quantidades. Não deixei de reparar que até uma dessas editoras, a Astiberri tem no catálogo para este ano o anúncio do lançamento para este ano da Agência de Viagens Lemming do omnipresente José Carlos Fernandes.

É possível encontrar virtualmente tudo o que saiu no estrangeiro traduzido. Desde as grandes editoras americanas passando pelos gigantes da manga, underground, franco-belga e tudo o que é possível imaginar.
Num país que traduz tudo é extremamente difícil encontrar material na língua original e é engraçado de ver que, tal como nos EUA, também em Espanha, em imensos títulos das grandes editoras, primeiro lançam-se os comics e depois recolhem-se os arcos de estórias em trades ou HC em edições que são tão ou até mesmo melhores que as estrangeiras sendo raros os casos em que se tornam mais caros que os originais.
AUTÓGRAFOS

Além da diferença no espaço comercial desligado dos autógrafos, no Palexco, local dos mesmos, a disposição das mesas é bastante diferentes do habitual nos festivais. Os autores estão espalhados pelo local e caso tenham arte exposta no edifício ficam junto da sua respectiva exposição.

A organização aqui esteve muito má. Os autores e visitantes são deixados desamparados pois não era possível encontrar ninguém da organização devidamente identificado que pudesse ajudar.
Com a estrela do cartaz deste ano, Mark Buckingham, sem mesa, deduziu-se que o autor tinha faltado a esta edição. Resignando-me a perguntar a um “segurança del patrimonio” se o Buckingham iria comparecer, penso que obteria melhor resultado se lhe tivesse perguntado quando seria o próximo alinhamento de Marte com Vénus.

A sessão de autógrafos com Daniel Acuña e David Aja, dois heróis nacionais que actualmente trabalham para títulos da Marvel, tornou-se algo desesperante e decepcionante do ponto de vista da espera. Sem ninguém para controlar o tamanho das filas, grande parte dos fãs perdeu a oportunidade de obterem desenhos e firmas (assinaturas). O tempo que eles gastavam para cada fã era demasiado para as duas horas (que ainda se arrastaram por mais meia hora) e a dada altura os autores tiveram que anunciar que não iam fazer mais desenhos naquele dia. Mais outro exemplo da falta de organização que os espanhóis aparentemente demonstram muitas vezes.
Pelo menos os desenhos e a simpatia dos autores compensaram o enorme tempo de espera.

ORGANIZAÇÃO

No geral a organização está de parabéns. O festival é excelente, muito bem divulgado e organizado apesar do problema das pessoas desamparadas no Palexco e o muito habitual facto de ainda anunciarem confirmações e horários até ao último dia no blog oficial Viñetas desde o Atlántico.
A organização nisto tem algumas coisas a aprender com a Amadora por exemplo e de certa forma, a Amadora também pode seguir alguns exemplos de Corunha e Beja.
O Viñetas desde o Atlântico concentra apresentações durante uma semana, autógrafos em 2 dias com os autores todos reunidos e as exposições ficam acessíveis durante o mês quase todo. O FIBDB concentra num fim-de-semana as sessões de autógrafos e as apresentações mais relevantes com outros eventos a preencherem os restantes dias
Um festival devia concentrar todos os seus participantes dando, assim, oportunidade de se apreciar ao máximo a festa que é.

Um dia chega perfeitamente para conhecer o festival mas o ideal são 2 dias de forma a ter-se tempo para estar com todos os autores, ver todas as exposições e conhecer melhor a cidade que vale bem a pena. É um excelente festival, obrigatório no guia de “festivais a visitar um dia”.